
Elogio da Loucura
Burnier e Cartier
Como esconder
E não ver que existe fim
Pra esse caso inadiável
Coisas que a gente tem medo
Sem razão
Não, não diga
Que essas coisas não se falam
Mas se a volúpia e o prazer
Nos matam de rir
O bom senso, onde fica?
Fica num canto qualquer
Onde se entrega a mulher
Onde o fogo acontece
Nunca é só o que é
É a paixão que devora
Pra se afogar no café
É o sabor da cachaça
E o suor a correr
É a justiça, a trapaça
E a liberdade de ser
Eu sei
Quero um espírito aberto
Bem louco, bem liberto
Entre o céu e o chão
Coisas que a gente tem medo de dizer
Não, não diga
Que essas coisas não se falam
Amo e não grito
Apesar da vontade, a mordaça
Toda mudança ameaça nossa maneira de ser
Onde o fogo acontece
Nunca é só o que é
É o como um bando de traças
Sobre um retrato qualquer
É um velho marujo
Com saudades do cais
São as coisas que partem
Pra não voltar nunca mais
Eu sei




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