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A Última Bebedeira

Cacho Castaña

La Última Curda

Lastima bandoneón, mi corazón
tu ronca maldición maleva
tu lágrima de ron me lleva
hacia el hondo bajo fondo
donde el barro se subleba

Ya sé no me digas, tenes razón
la vida es una herida absurda
Y es todo, todo tan fugaz
que es una curda nada más
mi confesión

Contame tu condena
decime tu fracaso
no ves la pena que me ha herido
y hablame simplemente
de aquel amor ausente
tras un retazo del olvido

Ya sé que te lastimo
yo sé que te hago daño
llorando mi sermón de vino
pero es el viejo amor
que tiembla bandoneón
y busca en un licor que aturda
la curda que al final
termina la función
corriendole el telón, al corazón

Un poco de recuerdo y sinsabor
gotea tu rezongo lerdo
marea tu licor
y arrea la tropilla de zurda
al volcar la ultima curda

Cerrame el ventanal
que arrastra el sol
su lento caracol de sueños
no ves que vengo de un país
que está de olvido
siempre gris, tras el alcohol

A Última Bebedeira

Que pena, bandoneón, meu coração
sua maldição rouca e malvada
sua lágrima de rum me leva
para o fundo profundo e sombrio
donde a lama se levanta

Já sei, não precisa dizer, você tem razão
a vida é uma ferida absurda
e é tudo, tudo tão passageiro
que é só uma bebedeira
a minha confissão

Me conta sua condenação
diga-me seu fracasso
não vê a dor que me feriu
e fale-me simplesmente
daquele amor ausente
atrás de um pedaço do esquecimento

Já sei que te machuco
sei que te faço mal
chorando meu sermão de vinho
mas é o velho amor
que treme, bandoneón
e busca em um licor que embriaga
a bebedeira que no final
encerra a apresentação
fechando a cortina, ao coração

Um pouco de lembrança e amargura
goteja seu resmungo lento
embriaga seu licor
e conduz a tropa à esquerda
ao derramar a última bebedeira

Fecha a janela pra mim
que arrasta o sol
seu lento caracol de sonhos
não vê que venho de um país
que está no esquecimento
sempre cinza, atrás do álcool

Composição: Aníbal Troilo