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Pólen

Café Tacvba

Polen

No puede tener mucho encanto ser polen y poder volar
nadie sabe que con mi canto la vida se va en lamentar
y el fuego se va encendiendo
y en carbón me vuelvo yo

El día se va poniendo y con él me acuesto yo
y el polen entró en el agua
y toda se la tragó
nadie le dijo nada su estómago la disolvió

Y lentos y silenciosos parecen los meses
y parece que hay algo que sigue
mi porvenir

Y caí en una orquilla y del tallo me estiré
hoy el cielo me envidió porque lo rebasé
y mis frutos dispersos
de las copas con lentitud
caen con tonos espesos perdiendo su juventud
y lentos y silenciosos parecen los años
y mientras más me lamento
necesito del porvenir

Pólen

Não pode ter muito encanto ser pólen e poder voar
ninguém sabe que com meu canto a vida se vai em lamentação
e o fogo vai se acendendo
e em carvão eu me transformo

O dia vai se pondo e com ele eu me deito
e o pólen entrou na água
e tudo ele engoliu
ninguém disse nada, seu estômago dissolveu

E lentos e silenciosos parecem os meses
e parece que tem algo que continua
meu futuro

E caí em uma bifurcação e do caule eu me estiquei
oh, hoje o céu me invejou porque eu o ultrapassei
e meus frutos dispersos
das copas com lentidão
caem com tons pesados perdendo sua juventude
e lentos e silenciosos parecem os anos
e quanto mais eu me lamento
mais preciso do futuro

Composição: E. Del Real