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Ela é como ninguém

Capdevielle Jean-Patrick

Elle est comme personne

Elle parle jamais d'hier, pour elle demain c'est trop loin
Elle peut pas tomber, y a rien qui la protège
C'est juste une collectionneuse de sortilèges
A minuit quand tous ses bracelets sonnent
Elle est comme personne

Quand le soleil qui plonge à la fin du jour s'élance
En reflets chiffonnés noués sur ma vitre,
La buée de sa bouche enfièvrée m'évite
Même le silence me crie "Abandonne !"
Elle est comme personne

Ecoute un peu mes mots
T'en vas pas, petite,
Toutes mes forces me quittent
J'ai jamais voulu te voler
Ni t'arracher
Les haillons, les larmes et les chaînes
De tout ce que t'app'lais
Ta liberté

J'ose pas me regarder dans l'eau que ses mains retiennent
Elle dit "De quoi t'as peur ?" et mon orgueil explose
Les portiers de ma raison se sauvent
Le jeu de ses doigts m'emprisonne
Elle est comme personne

Quand tout l'monde est courbé sous le vent des fausses nouvelles,
Quand les écrans des théoriciens malades
Vomissent leurs mots venin, elle s'évade
Quand le vent muet tourbillonne
Elle est comme personne

Moi j'avais seulement connu deux ou trois nuits clandestines
Et soudain mes passions soldées carillonnent
Ma cour est vide et mon escalier résonne
Elle reprend jamais les pleurs qu'elle me donne
Elle est comme personne

Elle a jamais d'mandé l'brouillard de mes serments vides
Et quand j'ai mal j'me plains pas d'la brûlure
J'suis venu seul à g'noux devant sa serrure
Quand mes derniers espoirs plafonnent
Elle est comme personne.

Ela é como ninguém

Ela nunca fala do ontem, pra ela o amanhã é longe demais
Ela não pode cair, não tem nada que a proteja
É só uma colecionadora de feitiços
À meia-noite, quando todas as suas pulseiras tocam
Ela é como ninguém

Quando o sol mergulha no fim do dia
Em reflexos amassados presos na minha janela,
O vapor da boca dela ardente me evita
Até o silêncio grita "Desiste!"
Ela é como ninguém

Escuta um pouco minhas palavras
Não vai embora, pequena,
Todas as minhas forças me abandonam
Nunca quis te roubar
Nem te arrancar
Os trapos, as lágrimas e as correntes
De tudo que você chamava
Sua liberdade

Não me atrevo a me olhar na água que suas mãos seguram
Ela diz "Do que você tem medo?" e meu orgulho explode
Os porteiros da minha razão fogem
O jogo dos dedos dela me aprisiona
Ela é como ninguém

Quando todo mundo se curva sob o vento das falsas notícias,
Quando as telas dos teóricos doentes
Vomitam suas palavras venenosas, ela se escapa
Quando o vento mudo gira
Ela é como ninguém

Eu só conheci duas ou três noites clandestinas
E de repente minhas paixões liquidadas soam
Meu pátio está vazio e minha escada ressoa
Ela nunca pega de volta as lágrimas que me dá
Ela é como ninguém

Ela nunca pediu a névoa dos meus juramentos vazios
E quando eu sinto dor, não reclamo da queimadura
Vim sozinho de joelhos diante da sua fechadura
Quando minhas últimas esperanças se esgotam
Ela é como ninguém.

Composição: Jean-Patrick Capdevielle