A ma femme
Tu es venue des marécages où les adultes poissent l'enfance
Parée de coquillages morts et je me rappelle la danse
Septembre léchait sa blessure et l'équinoxe enflait, si belle
Qu'à entendre gueuler les goélands, on aurait dit des hirondelles
Assassinées par des gamins, fouettant l'écharpe de la dune
Et moi, soupirant mes vingt ans passés depuis quarante lunes
Avec mon fils dans mes cheveux, pareil à celui dans ton ventre
Et qui ne jouera que demain
Noyé dans ma nuit océane, je vieillissais dans mes bouteilles
Et je crachais, dedans mon crâne, l'amertume amassée la veille
Si j'avais pu briser le temps, je serais retourné dans ma mère
Aux marées d'algues déversées sur le trottoir gercé de vert
Lagune au bord de l'escalier où j'attendais que tu descendes
En chantant, comme fait le vent sur la montagne ou sur la lande
Ô Bretagne, où mon cœur a mis pour toujours l'habit de grisaille
Et qui ne connaît pas l'oubli
L'été vibre de ses chevaux, tu es nue sous ta peau nuptiale
Nuptiale et Nubien, après tout, portent les mêmes initiales
Pourquoi pas jouer sur les mots ? On joue bien sur les corps des femmes
Et moi, enfant cassé déjà et que l'amour sans cesse affame
Quand je dépose sur ton sein ma bouche à jamais maladive
Accouplée comme le vitrail, sous la cambrure de l'ogive
C'est là que je mourrai heureux, vidé de mes pluies éphémères
Qui ne savaient plus qui mouiller
Minha Mulher
Você veio dos pântanos onde os adultos estragam a infância
Enfeitada com conchas mortas e eu me lembro da dança
Setembro lambia sua ferida e o equinócio crescia, tão belo
Que ao ouvir os gaivotas gritando, parecia que eram andorinhas
Assassinadas por crianças, chicoteando o lenço da duna
E eu, suspirando meus vinte anos passados há quarenta luas
Com meu filho nos meus cabelos, igual ao que está na sua barriga
E que só vai brincar amanhã
Afogado na minha noite oceânica, eu envelhecia nas minhas garrafas
E eu cuspia, dentro da minha cabeça, a amargura acumulada na véspera
Se eu pudesse quebrar o tempo, eu voltaria para minha mãe
Nas marés de algas despejadas na calçada rachada de verde
Laguna na beira da escada onde eu esperava você descer
Cantando, como faz o vento na montanha ou na charneca
Ô Bretanha, onde meu coração vestiu para sempre o manto de cinza
E que não conhece o esquecimento
O verão vibra com seus cavalos, você está nua sob sua pele nupcial
Nupcial e Núbia, afinal, têm as mesmas iniciais
Por que não brincar com as palavras? A gente brinca bem com os corpos das mulheres
E eu, criança quebrada já e que o amor sem parar consome
Quando eu coloco minha boca no seu seio, para sempre doente
Acoplada como o vitral, sob a curva da ogiva
É lá que eu morrerei feliz, esvaziado das minhas chuvas efêmeras
Que não sabiam mais quem molhar