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Letra

    Invernos não são mornos
    São vermelhos na carne
    São ferozes no abate
    Invernos não são santos
    Sempre haverá qualquer coisa
    De pecado nos olhos nus
    Nas árvores despidas
    Nos ombros curvados
    Nas roupas distraídas e pesadas
    Nas dores corrompidas e desavisadas

    Sempre haverá um inverno, uma poda
    Um inferno de olhos vermelhos implorando
    Um azul de céu, qualquer coisa de mar

    Invernos não são prantos
    São sedentos nas noites
    São marcados nas faces
    Invernos serão tantos
    Sempre haverá qualquer coisa
    De sagrado nos ombros nus
    Nas ruas despidas
    Nos dias curvados
    Nas roupas distraídas e pesadas
    Nas dores corrompidas e desavisadas

    Sempre haverá um inverno, uma poda
    Um inferno de olhos vermelhos implorando
    Um azul de céu, qualquer coisa de mar

    Uma densa vontade de ser vento
    No reencontro das coisas germinadas... Germinadas

    Sempre haverá um inverno, uma poda
    Um inferno de olhos vermelhos implorando
    Um azul de céu, qualquer coisa de mar

    Composição: Cardo Peixoto / Luciane Lopes. Essa informação está errada? Nos avise.

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