
Quase nada
Carlos Brum
Eu gosto de você, mas tenho medo
De entregar mais do que eu sei lidar
Já vi promessas virarem silêncio
E carinho virar lugar comum
Longe de tudo que me segura
Você virou meu ponto de paz
Mas meu passado ainda sussurra
Que nem todo amor sabe ficar
Eu sei que você vem sem pressão
Não promete o que não pode dar
Mas meu coração anda na defensiva
Aprendeu errado a confiar
Você me ganha no simples
No jeito de me olhar
Quando diz fica sem cobrar
Se eu sumir, você entende
Se eu voltar, você tá lá
Me dá um pouco de calma de manhã
Diz que o tempo não vai nos levar
Me guarda hoje, que eu volto amanhã
Eu te guardo sem precisar falar
Se escreve música, escreve pra mim
Toda vez que toca eu fico assim
Eu não sou qualquer um
Você também não é comum
Eu sempre fui melhor sozinho, eu sei
Mas talvez tenha espaço pra você
Um pouco, quase nada
Eu não sou de abrir a casa
Então pensa
Então tenta
Se for pra ficar, fica sem pressa
Se for amor, vai saber esperar
Eu não prometo tudo agora
Mas prometo não brincar



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