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A Era das Chacinas

Carlos Eduardo Taddeo

LetraSignificado

    Os crimes mais bárbaros não vêm dos salves
    Vêm dos que ostentam placa de vigilância na propriedade
    Pra proteger Patek Philipe, a ilha particular
    Fundaram a época dos gambés licenciados pra matar
    O ciclo onde a barca enquadra, faz o levantamento
    Pra milícia, de Gol placa fria, gerar dez sepultamentos
    O toque de recolher do governo de esquerda
    Cria retiro de arrasados pelos estágios da perda
    O dó-ré-mi da BXP afeta a coronária
    Do que implora exumação pra apurar morte arquivada
    Enquanto o rap põe gelo no balde da ostentação
    Alugam busão pro cortejos da solação
    Militantes sangram, denunciando a justiça seletiva
    Que criminaliza, condena, dizima, população empobrecida
    A Síria se assustaria com 8 carros funerários
    Saindo do mesmo bairro, no mesmo horário
    Em uma semana, os protetores dos lordes brancos
    Matam mais que a ditadura em 20 anos
    No hit, estamos no Challenger magnifico
    Na real, enchemos macas, baús, frigoríficos
    Com sorte, quando a 12 do paiol da PM engasga
    Formamos a fila do SUS por enxerto e plástica
    Minha rima se junta ao clamor de justiça na cartolina
    Pra ser outro ato de repudio contra a era das chacinas

    A era contemporânea, com seus rifles e toucas ninjas
    Deu luz no solo segregado, à era das chacinas
    Depois das 10, todo excluído vira alvo vivo
    Candidato aos Clá-Clá-Bum e velório coletivo
    A era contemporânea, com seus rifles e toucas ninjas
    Deu luz no solo segregado, à era das chacinas
    Depois das 10, todo excluído vira alvo vivo
    Candidato aos Clá-Clá-Bum e velório coletivo

    O pedido do secretário de segurança é especifico
    Soldados, atenção: Sem testemunha e feridos!
    Abatam pelo cabelo, pela roupa, pela cor
    Só cuidado com a laje, com cinegrafista amador
    Dá um vazio ver que ainda não fiz um escrito
    Com o poder de evitar os enterros coletivos
    Impedir que os antigos vizinhos de rua
    Depois dos 'bum' se tornem vizinhos de sepultura
    Meu sonho é ver na cova clandestina, com estuprador
    Os pedaços decompostos de uma pá de ditador
    Também queria uma comissão de verdade e justiça
    Pra julgar 19 milhões de assassinos racistas
    Assinaturas em condenações pelo recorde consumado
    De autópsia na faixa etária dos 15 aos 24
    Cadê a presidenta que chora por universitário
    Em prantos pelo favelado chacinado?
    Pousando a porra do helicóptero presidencial
    Pra visitar sobrevivente em recuperação no hospital
    Só abaixo minhas armas e deixo o combate
    Com 90% das vagas das faculdades
    Enquanto a representatividade for no índice de finados
    Muito Eike vai ter pesadelo com o Eduardo
    Na era moderna, iluminista pedia igualdade
    Na era das chacinas, pedem restos mortais pras autoridades

    A era contemporânea, com seus rifles e toucas ninjas
    Deu luz no solo segregado, à era das chacinas
    Depois das 10, todo excluído vira alvo vivo
    Candidato aos Clá-Clá-Bum e velório coletivo
    A era contemporânea, com seus rifles e toucas ninjas
    Deu luz no solo segregado, à era das chacinas
    Depois das 10, todo excluído vira alvo vivo
    Candidato aos Clá-Clá-Bum e velório coletivo

    Irmão, se sair do atentado da elite com vida
    Cuida dos ferimentos em casa, não vai na clínica
    Se for internado, assinou o suicídio
    O plantonista liga pros vermes terminarem o serviço
    Não existe, humanidade, juramento de Hipócrates
    Quando o choque hipovolêmico sufoca o pobre
    O avanço de nossa era, é celular com cartão de memória
    Que armazena os gigas de sumiço das cápsulas predatórias
    Dá zoom no PM, chefe do time
    Que destrói sem constrangimento a cena do crime
    Colhemos as tragédias do plano de higienização
    Porque nunca entramos nos comitês com granada na mão
    Se pudesse, bloquearia o patrimônio do governador
    Pra dividir com degradados pelo terror
    Como não dá, empresto a voz pra garganta silenciada
    Pela 762 com rajadas sequenciadas
    Pra mãe que enfrenta promotores, armada de foto
    Que com sua luta evita outros atestados de óbito
    Meu crítico pode negar as traçantes do extermínio
    Mas não afirmar que pertencemos a uma pátria, um hino
    Se é excluído, não conhece a democracia
    Muito menos a alegria representada na alegoria
    Assim que a quadra receber, caixões no lugar de torcida
    Se sentirá como eu, na era das chacinas

    A era contemporânea, com seus rifles e toucas ninjas
    Deu luz no solo segregado, à era das chacinas
    Depois das 10, todo excluído vira alvo vivo
    Candidato aos Clá-Clá-Bum e velório coletivo
    A era contemporânea, com seus rifles e toucas ninjas
    Deu luz no solo segregado, à era das chacinas
    Depois das 10, todo excluído vira alvo vivo
    Candidato aos Clá-Clá-Bum e velório coletivo

    Composição: Carlos Eduardo Taddeo. Essa informação está errada? Nos avise.
    Enviada por Igor. Revisões por 3 pessoas. Viu algum erro? Envie uma revisão.

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