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Manicômio Judiciário

Carlos Eduardo Taddeo

LetraSignificado

    Encabeço a lista de perseguidos da polícia
    Porque bolei plano contra a política eliminacionista
    Virei o patinho feio do rap nacional
    Porque pra indústria fonográfica não sou comercial
    Pra esfera A, mereço um manicômio judiciário
    Tenho distúrbio psiquiátrico, vejo os adversários
    Sou esquizofrênico que ouve a voz não ouvida
    Abafada por sirenes, G3, garrafinha
    Que enxerga a animalização do aprisionado
    Intoxicado pelo almoço sem talher no saco plástico
    Leio as letras miúdas no contrato social
    Que dá missões pras crianças no GTA real
    Não quero ser Che, só fazer o pobre
    Apedrejar caminhões da Ambev, Philip Morris
    Me alimento da crítica da classe que usa a morte do filho
    Pra fingir causa e entrar em partido político
    Quanto mais impactante e hediondo o óbito
    Mais publicidade pro pai e garantia de voto
    No exame criminológico, atingi alto índice
    Por pretender salvar mais vidas que o Oskar Schindler
    Sou tão alucinado e sensacionalista
    Que até o fim dessa rima uma adolescente engravida
    Enquanto os sãos crucificam o Eduardo
    Nasce a décima geração de menores abandonados

    Se enxergar a carnificina é ser desequilibrado
    Assina a guia e me interna no manicômio judiciário
    Nem todos os comprimidos e choques eletro-convulsivos
    Apagam da minha mente o sistemático morticínio
    Se enxergar a carnificina é ser desequilibrado
    Assina a guia e me interna no manicômio judiciário
    Nem todos os comprimidos e choques eletro-convulsivos
    Apagam da minha mente o sistemático morticínio

    Louco é quem investe no mundo militarizado
    E colhe tiro na nuca da filha se abrir o blindado
    É quem põe placa balística na jaqueta
    Que vai usar no túmulo da família, dentro de uma gaveta
    Assumo que tenho extrema bipolaridade
    Amo a favela e odeio quem devasta as comunidades
    Sou o rimador violento, que cita fome e latrocínio
    Mas que é mais inofensivo que a TV Globinho
    Me acha insano o que aprova a maçonaria da high society
    Dando Luger, Nextel e granada pro combate
    Fazendo os manos ter que usar o lado criativo
    Pra no celular, fingir sequestro de um presídio
    Tô com sua filha, não desliga o fone, senhora
    Quero recarga da Tim e 5 mil na conta agora
    Quem precisa de leponex é quem não percebe
    Que o prêmio Exame vem do chumbo crivado na nossa pele
    Sofro da psicose que me faz ousar falar
    Que as salas de interrogatórios não são nosso lugar
    Camisa de força porque tenho culhão pra dizer
    Quem abaixou o homicídio foi o crime e não o DHPP
    Que se não fosse um B-boy repassar seu aprendizado
    Tinha uns mil volume a mais de álbuns de procurados
    Não tem cura pra quem vê a nave não tripulada
    Monitorando o próximo miolo varrido por piaçava

    Se enxergar a carnificina é ser desequilibrado
    Assina a guia e me interna no manicômio judiciário
    Nem todos os comprimidos e choques eletro-convulsivos
    Apagam da minha mente o sistemático morticínio
    Se enxergar a carnificina é ser desequilibrado
    Assina a guia e me interna no manicômio judiciário
    Nem todos os comprimidos e choques eletro-convulsivos
    Apagam da minha mente o sistemático morticínio

    Cuidado, você no bairro negligenciado
    Se tem meu CD, foi grampeado
    Possivelmente, a inteligência da polícia
    Vai te acusar de associação a ideologia terrorista
    Fechou com a mente diagnosticada desequilibrada
    Por quem não vê as brincadeiras infantis brutalizadas
    Pedrinho vai ser o que liga e pede permissão
    Juninho, o que passa o serrote no pomo de Adão
    Minha crise psicótica só permite rimar a festa
    Da van da CBA roubada e dividida na favela
    Festa do estuprador lentamente desossado
    Embaixo dos uh, vai morrer e os clap, clap dos aplausos
    Na exclusão, prevejo tico-tico fatiando órgãos
    Não é demência, é raciocínio lógico
    Querem minha massa cinzenta sedada, lobotizada
    Pra ninguém descrever nossas Faixas de Gaza
    Mas não vou ser o astro fabricado com whisky na boca
    Chamando as mulheres da favela de cachorra
    Outro otário, que o granfino faz de instrumento
    Pra arrastar sua gente através do mal exemplo
    Se o moleque me ver cafungando, vai cheirar
    Se me ver informado, vai tentar se informar
    Enquanto não me trancafiam no manicômio judiciário
    Prossigo na marcha pra Washington, versão Eduardo

    Se enxergar a carnificina é ser desequilibrado
    Assina a guia e me interna no manicômio judiciário
    Nem todos os comprimidos e choques eletro-convulsivos
    Apagam da minha mente o sistemático morticínio
    Se enxergar a carnificina é ser desequilibrado
    Assina a guia e me interna no manicômio judiciário
    Nem todos os comprimidos e choques eletro-convulsivos
    Apagam da minha mente o sistemático morticínio

    Composição: Carlos Eduardo Taddeo. Essa informação está errada? Nos avise.
    Enviada por Flávio. Revisões por 4 pessoas. Viu algum erro? Envie uma revisão.

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