exibições de letras 6.579
LetraSignificado

    Sempre odiei meus pais quando criança
    Eram dois drogados dando multa na vizinhança
    Não me levavam pra escola infantil com arte visual
    Ensinavam a soco o alfabeto do malabar no sinal
    Me torturavam mentalmente em período integral
    Vai pro conselho tutelar se chegar sem 1 real!
    O Mickey na Disney Channel da minha infância
    Foi uma mãe, em troca de pedras, fazendo programa
    Foi um pai com gaiola fixando ossos quebrados
    Por tentar passar nota falsa no tráfico
    Tinha nojo das suas mãos queimadas pelo isqueiro
    Das bolhas na suas bocas, da perda de peso
    Olhava as roupas doadas, falta de higiene pessoal
    Pensava: Quando crescer, mando os dois pro funeral!
    Ingênuo, não os via como pessoas adoecidas
    Viciadas estrategicamente pra se afastarem da política
    Não precisavam de GCM expulsando do centro
    Mas de cuidados psicológicos, medicamentos
    Hoje perdoo cada surto psicótico, agressão
    Por me apontarem facas, pela mania de perseguição
    Hoje perdoo quando saíam pra fumar e me deixavam sozinho
    Faminto por dias, pedindo comida pra vizinhos
    Me envergonho por toda vez que eu respondi
    Cadê seus pais?
    Sou órfão, morreram quando eu nasci!

    Perdoa Pai, pelo meu olhar de ódio quando se drogava
    Por te pedir num caixão, quando eu orava
    Se soubesse que injetam crack pra politizar e destruir
    Jamais teria dito: Sou órfão, meus pais morreram quando eu nasci

    Perdoa Mãe, pelo meu olhar de ódio quando se drogava
    Por te pedir num caixão, quando eu orava
    Se soubesse que injetam crack pra politizar e destruir
    Jamais teria dito: Sou órfão, meus pais morreram quando eu nasci

    Fui outro bebê que o boy deu sífilis na UTI neonatal
    Que sobreviveu à incubadora, à abstinência fetal
    Que nasceu prematuro, que foi pro CAPS infantil
    Que teve déficit intelectual no período estudantil
    Com sete, fugi de casa, aliás, da barraca
    E fui morar com minha vó, que conseguiu a guarda
    Detestava quando apareciam pra me visitar
    Se vacilava, roubavam videogame, roupa, celular
    Quem anuncia o fim da cracolândia, a mando do comércio
    É o que gera enfisema pulmonar, compromete cérebro
    Não é dado da Fiocruz, dizimam via cachimbo
    Afetam os sentidos pra dependente não ver a sopa com vidro moído
    Acordei pro mundo onde 1 a cada 2 usuários
    Será barbaramente assassinado e não reclamado
    O Brasil não é só o líder mundial em consumo
    É o que mais mata dependentes químicos no mundo
    Se vicie e não veja que os 5 mais ricos brasileiros
    Tem juntos o que 100 milhões de nós tem em dinheiro
    Não veja que a elite gera disputa por presídio, batismo
    Escudo humano em assalto a banco coletivo
    Agora sei que fumavam a droga que não foi incinerada
    Porque a PF pôs no lugar, no forno, farinha láctea
    Agora sei que não eram nóias, cracudos, craqueiros
    Meus pais eram vítimas dos ricos genocidas brasileiros

    Perdoa Pai, pelo meu olhar de ódio quando se drogava
    Por te pedir num caixão, quando eu orava
    Se soubesse que injetam crack pra politizar e destruir
    Jamais teria dito: Sou órfão, meus pais morreram quando eu nasci

    Perdoa Mãe, pelo meu olhar de ódio quando se drogava
    Por te pedir num caixão, quando eu orava
    Se soubesse que injetam crack pra politizar e destruir
    Jamais teria dito: Sou órfão, meus pais morreram quando eu nasci

    Nem lembro quantas vezes minha mãe ficou grávida
    Quantos filhos ela deixou na maternidade, na alta
    Quantos foram adotados, ficaram em abrigos
    Quantos morreram em rituais, quantos ainda tão vivos
    A última vez que vi meus pais, me pediram dinheiro
    Otário, falei: Não chega perto de mim com esse cheiro
    Dei lição de moral como o endinheirado podre
    Que faz missão na África porque gera lucro com posts
    Mentira, não jogam tijolo em polícia a mando do tráfico
    Não querem sair do porto-seguro, serem internados
    Pra muitos, cachimbo é anestésico, válvula de escape
    Pras derrotas cotidianas na luta de classes
    Se a droga devastasse da mesma forma a escória rica
    O vício seria caso de clínica, não de polícia
    Mudaria com eles com os dentes estragados
    Pegando água da via pra lavar vidro de carro
    Deviam morrer pelas vidas vividas em função do Crack
    Que têm uma década apenas de longevidade
    Pelos que têm que apelar pro estelionato da fissura
    Inventando mentiras pra receber donativo na rua
    Aí você, que tem parente vítima do vício
    Pega a visão: Não desista dele, não jogue no lixo
    Infelizmente, só compreendi a temática
    Depois que as larvas devoraram meus pais numa cova rasa

    Perdoa Pai, pelo meu olhar de ódio quando se drogava
    Por te pedir num caixão, quando eu orava
    Se soubesse que injetam crack pra politizar e destruir
    Jamais teria dito: Sou órfão, meus pais morreram quando eu nasci

    Perdoa Mãe, pelo meu olhar de ódio quando se drogava
    Por te pedir num caixão, quando eu orava
    Se soubesse que injetam crack pra politizar e destruir
    Jamais teria dito: Sou órfão, meus pais morreram quando eu nasci

    Composição: Carlos Eduardo Taddeo. Essa informação está errada? Nos avise.
    Enviada por Victor. Revisões por 3 pessoas. Viu algum erro? Envie uma revisão.

    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Carlos Eduardo Taddeo e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção