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Precisamos Nos Abrir

Carlos Gardel

Tenemos Que Abrirnos

Hace ya algún tiempo te vengo observando
un raro misterio en tu modo de ser.
Si algo me retraso te encuentro con trompa,
si vengo pasado ni me querés ver.
Si me siento alegre y cacho la viola
me parás el carro, yo no se porqué.
Te inventás diez nombres de minas cualquiera;
si falta que digas que tengo un harén.

Tenemos que abrirnos, no hay otro remedio,
es un caso serio tu modo de amar.
Tenemos que abrirnos, amistosamente,
no es vida decente broncar y broncar.
Tenemos que abrirnos, hemos terminado
las que has aguantado te las pagaré
con buenos recuerdos, diré que sos buena,
que es grande mi pena, pero que le vachaché.

A veces, dormida, soñés en voz alta,
me decías de todo, mordés el colchón.
Yo te doy soguita, hasta que cabrero
te despierto suave con el cinturón.
Si te pido ropa te haces la mañera
haciéndote ideas muy malas, quizá.
¡Upa! ¡Que carácter! ya no hay quien te aguante,
si tenés más vueltas que línea 'e tranway.

Precisamos Nos Abrir

Já faz um tempo que venho te observando
um mistério estranho no seu jeito de ser.
Se algo me atrasa, te encontro de cara feia,
se chego atrasado, nem quer me ver.
Se tô feliz e pego o violão
você me para, não sei por quê.
Você inventa dez nomes de garotas qualquer;
se falta dizer que tenho um harém.

Precisamos nos abrir, não tem outro jeito,
é um caso sério seu jeito de amar.
Precisamos nos abrir, de forma amistosa,
não é vida decente brigar e brigar.
Precisamos nos abrir, já terminamos
as que você aguentou, eu vou pagar
com boas lembranças, vou dizer que você é boa,
que minha dor é grande, mas que se dane.

Às vezes, dormindo, você sonha alto,
você me dizia de tudo, mordendo o colchão.
Eu te dou uma corda, até que você se irrite
te acordo suave com o cinto.
Se eu peço roupa, você faz de conta
que tá com ideias muito ruins, talvez.
Ué! Que caráter! já não tem quem te aguente,
se você tem mais voltas que linha de trem.

Composição: