395px

Ruas

Carlos Gardel

Corrientes

La ciudad dormía majestuosamente
En la quietud de la noche
Como una agonía, como un reproche
Un alma en pena cantaba así

Corrientes calle nocturna
De milongas, calaveras y gente bien
En tu calle de vicios y de orgía
Maté mis alegrías, mi único edén

Corrientes calle de vicios
Donde ilusa marchité mi juventud
Entre el brillo de tus luces esplendentes
Mareada y sonriente, perdí mi juventud

Y una más que vaga sola
Sola y triste con mi pena
Arrastrando una cadena
De amargura y sinsabor

Más yo no culpo a ninguno
Sufro sola mi caída
Y a cada paso mi vida
Llora de angustia y dolor

Corrientes calle de vicios
Una noche me embriagaste con tu mal
Y fue tanto el veneno que me diste
Que nadie resista tu brillo fatal

Corrientes calle maldita
No te cambio jamás por mi arrabal
Aunque a veces quisiera abandonarte
No puedo dejarte, calle de mi mal

Como siento por mis viejos
Mi hogar, mis hermanitos
Que de pena probrecitos
Sufren lo mismo que yo
Ya mi honor y la vergüenza

Para siempre la he perdido
Y hasta mi carne he vendido
Para que hablar del pudor!

Ruas

A cidade dormia majestosa
Na quietude da noite
Como uma agonia, como um reproche
Uma alma penada cantava assim

Ruas Corrientes, noite na cidade
De milongas, caveiras e gente fina
Na sua rua de vícios e orgia
Matei minhas alegrias, meu único edên

Ruas Corrientes, rua de vícios
Onde iludida murchou minha juventude
Entre o brilho das suas luzes brilhantes
Tonta e sorridente, perdi minha juventude

E uma a mais que vagueia sozinha
Sozinha e triste com minha dor
Arrastando uma corrente
De amargura e desilusão

Mas eu não culpo ninguém
Sofro sozinha minha queda
E a cada passo minha vida
Chora de angústia e dor

Ruas Corrientes, rua de vícios
Uma noite me embriagou com seu mal
E foi tanto o veneno que me deu
Que ninguém resiste ao seu brilho fatal

Ruas Corrientes, rua maldita
Nunca te trocaria pelo meu subúrbio
Embora às vezes quisesse te abandonar
Não consigo te deixar, rua do meu mal

Como sinto por meus velhos
Meu lar, meus irmãos
Que de pena, coitadinhos
Sofrem o mesmo que eu
Já minha honra e a vergonha

Para sempre eu as perdi
E até minha carne eu vendi
Pra que falar de pudor!

Composição: Ángel Félix Danesi / Jorge Curi