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Agonia

Carlos Gardel

Agonia

Cuando mi alma abandone, mi envoltura terrena,
y a tu alcoba se acerque, doliente y errabunda,
impotente y terrible, mi deseo de amarte,
retorcera mi cuerpo, prisionero en la tumba...
Te gritare angustiado, cuando escuche tus pasos,
caminar por la senda, que recorrimos juntos,
y ese techo de tierra, que me aislara en su abrazo,
arañare frenetico, en un esfuerzo absurdo...
Ya no podran mis labios, gustar de tus encantos,
que seguiran viviendo, palpitantes y frescos,
que inspiraran pasiones, a pesar de tu llanto,
y seran de otros labios, a pesar de mis celos...
Ya no podra mi boca, mordisquear insaciable,
el marfil suave morbido y celestial de tu cuerpo,
y del humedo beso, que estremecio tu carne,
solo tendran tus fibras, un molesto recuerdo...
Ya no podran mis manos, enredarse en tu pelo,
ni aplastare mi boca, en tus labios sangrientos,
ni crisparas violenta, como garfios tus dedos,
en la incansable almohada, de nuestro amor sediento...
Ven y sientate cerca, de mi lecho de enfermo,
ven y acerca tus manos, que estan limpias y frescas,
a mi frente que quema, el calor de un infierno,
a mis ojos febriles de vagar por la pieza,
cierra bien la persiana, que la luz, me molesta,
ahora, vete amor mio, vete y cierra la puerta.

Agonia

Quando minha alma partir, deixando este corpo,
e se aproximar do seu quarto, sofrida e errante,
impotente e aterradora, meu desejo de te amar,
retorcerá meu corpo, prisioneiro na cova...
Vou gritar angustiado, quando ouvir seus passos,
passando pelo caminho, que trilhamos juntos,
e aquele teto de terra, que me isolou em seu abraço,
arranharei frenético, num esforço absurdo...
Meus lábios não poderão mais, saborear seus encantos,
que continuarão vivos, pulsantes e frescos,
que inspirarão paixões, apesar do seu choro,
e serão de outros lábios, apesar do meu ciúme...
Minha boca não poderá mais, morder insaciável,
o marfim suave, macio e celestial do seu corpo,
e do beijo úmido, que fez seu corpo estremecer,
só terão suas fibras, uma lembrança incômoda...
Minhas mãos não poderão mais, se enroscar no seu cabelo,
nem esmagar minha boca, em seus lábios sangrentos,
nem seus dedos, como garras, se contorcerem,
a incansável almofada, do nosso amor sedento...
Venha e sente-se perto, do meu leito de doente,
venha e aproxime suas mãos, que estão limpas e frescas,
a minha testa que queima, com o calor de um inferno,
os meus olhos febris, vagando pelo quarto,
feche bem a cortina, que a luz me incomoda,
hoje, vá embora, meu amor, vá e feche a porta.