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Noite Fria

Carlos Gardel

Noche Fría

Recuerdo que en las noches de invierno cruel
Lo hallaba tendido en un umbral
Al pobre errabundo que en la vida fue
Motivo de burlas y de maldad

Nadie supo lo que ha sido
Nadie su mal conoció
Y el pobre viejo vencido
Triste, abatido siempre ambuló
Sin encontrar para su alma
La ansiada calma que ambicionó

Yo sé que la tragedia
Que derrumbó su hogar
Fue hija de la miseria
Que acaba por matar
Es el drama que sufren
Esos seres que se van
Vagando por las calles
Sin techo, luz ni pan

Y fue una noche de esas
Que llegué hasta su lado
Cuando quedé asombrado
Ante la realidad
Al ver aquel mendigo
Entre harapos envuelto
De frío se había muerto
Junto a un viejo portal

La sombra fatal de su destino alzó
Sendero de espinas a su vejez
Y en todas la rutas de su mal halló
Tan solo desprecio por su ser
Y ante aquella desventura
Que el pobre a mí me narró
A veces se me figura
Que la amargura lo derrotó
Y se agolpa a mi memoria
La amarga historia que me contó

Noite Fria

Lembro que nas noites de inverno cruel
O encontrava deitado em um umbral
O pobre errante que na vida foi
Motivo de risadas e de maldade

Ninguém soube o que ele passou
Ninguém conheceu seu sofrimento
E o pobre velho vencido
Triste, abatido sempre vagou
Sem encontrar para sua alma
A tão desejada calma que almejou

Eu sei que a tragédia
Que destruiu seu lar
Foi filha da miséria
Que acaba por matar
É o drama que sofrem
Esses seres que se vão
Vagando pelas ruas
Sem teto, luz ou pão

E foi numa noite dessas
Que cheguei até seu lado
Quando fiquei surpreso
Diante da realidade
Ao ver aquele mendigo
Envolto em trapos
De frio ele havia morrido
Junto a um velho portal

A sombra fatal de seu destino se ergueu
Caminho de espinhos até sua velhice
E em todas as rotas de seu sofrimento encontrou
Apenas desprezo por seu ser
E diante daquela desventura
Que o pobre me contou
Às vezes me parece
Que a amargura o derrotou
E se aglomera em minha memória
A amarga história que ele me contou

Composição: Carlos Gardel, Jose Razzano, Aura