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As Horas Passam

Carlos Gardel

Pasan Las Horas

Pasan las horas
Cuál lenta caravana
Por el desierto
De mi corazón
Y las primeras canas
No me las traen los años
Sino los desengaños
Que quitan la razón

Pasan las horas
Y sufro como ayer
Tortura mi existencia
La cruel indiferencia
De aquella que amé tanto
Con mágico querer
Y en medio del quebranto
La quiero todavía
Y llega un nuevo día
Viviendo un padecer

Pasan las horas
Eternas de desvelos
Indiferentes
Siempre, a mi dolor
Ni un pálido consuelo
Refleja el alma mía
Y me sorprende el día
Delirando de amor

Las horas crueles
No llevan mi sufrir
Errante y a deshora
Siento tocar las horas
Con goce de misterio
Profundo en mi sentir
Parece un cautiverio
La plaza solitaria
Y el silencio plegaria
Piadosa del morir

As Horas Passam

As horas passam
Como uma lenta caravana
Pelo deserto
Do meu coração
E os primeiros fios brancos
Não vêm com os anos
Mas com os desenganos
Que tiram a razão

As horas passam
E eu sofro como ontem
Tortura minha existência
A cruel indiferença
Daquela que amei tanto
Com um querer mágico
E no meio da dor
Ainda a quero
E chega um novo dia
Vivendo um sofrimento

As horas passam
Eternas de insônia
Indiferentes
Sempre, à minha dor
Nem um pálido consolo
Reflete minha alma
E o dia me surpreende
Delirando de amor

As horas cruéis
Não levam meu sofrer
Errante e fora de hora
Sinto tocar as horas
Com gozo de mistério
Profundo em meu sentir
Parece um cativeiro
A praça solitária
E o silêncio, uma prece
Piedosa do morrer

Composição: C. Camba