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Pobres Flores

Carlos Gardel

Pobres Flores

Flores mías que están mustias
Hallo en el jardín querido
Simbolizan el olvido
En su amarga soledad
A tu dueña han engañado
Con halagos traicioneros
Los llamados caballeros
De la oscura sociedad

Me venció la ilusión
Quería vivir
Los placeres sombríos
De incógnito amor
Y por eso quedaron
Marchitas mis flores
Las pobres aquellas
De un tiempo mejor

Desde entonces
Mis glorias murieron
Y las sombras
Hundieron mi bien
Las auroras
De novia se fueron
Llorando recuerdo
De mi único edén

Pobres flores, flores mías
Adornan el jardín ajeno
Las maté con el veneno
De no sé qué vanidad
Ni mi madre ya me quiere
Vivo en antro de sombras
Mundo, que mujer me nombras
Quiero inspirarte piedad

Pobres Flores

Flores minhas que estão murchas
Falo no jardim querido
Simbolizam o esquecimento
Na sua amarga solidão
A sua dona foi enganada
Com elogios traiçoeiros
Os chamados cavalheiros
Da sociedade obscura

A ilusão me venceu
Queria viver
Os prazeres sombrios
De um amor incógnito
E por isso ficaram
Murchas minhas flores
As pobres aquelas
De um tempo melhor

Desde então
Minhas glórias morreram
E as sombras
Afundaram meu bem
As auroras
De noiva se foram
Chorando a lembrança
Do meu único edên

Pobres flores, flores minhas
Adornam o jardim alheio
As matei com o veneno
De não sei que vaidade
Nem minha mãe já me quer
Vivo em antro de sombras
Mundo, que mulher me nomeia
Quero inspirar sua piedade

Composição: F. Pracánico, V. Servetto