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Reproche

Carlos Gardel

Reproche

Tango triste, tango rante
De mi tiempo es Caferata
Yo conozco tu pasado
Yo comprendo tu traición
Los malevos no te miran
Con los mismos ojos de antes
Porque fue tu cuna el bajo
Y el lujo tu seducción

Cuántos guapos se marcaron
Al compás de tus acordes
Y en el bajo, cuál fantasmas
Se trenzaron a facón
Y tu música doliente
Sí, habrá servido de arrullo
Pa' que duerma un sueño reo
El pibe de algún matón

Tango triste, tango rante
De mi tiempo es Caferata
Que hiciste de esa vecina
Mi hermanita espiritual
Una noche en la milonga
Al compás de tus acordes
Vi rodar de sus pupilas
Un lagrimón virginal

Tango triste, y hoy los malevos
Lloran todos tu traición
Porque saben que ya nunca
Has de volver a tu hogar
Porque has estado jugando
Con las cuarenta del mazo
Y es al ñudo que te compren
Si no te han de desbancar

Ahora luces tus acordes
Como mina abacanada
Porque sos igual que todos
Los que han sido del barrial
Los que hasta hoy, con ajenjo
Juntos nos envenenamos
Porque hoy están en la buena
Lanzan su grito triunfal

Si yo te pidiera cuenta
De tanto mal que has causado
A esas pobres mujercitas
En tus noches de champaña
Ya, ni volviendo a la cuna
Donde empezó tu existencia
Pagarías tanto daño
Al que te llamó 'gotán'

Reproche

Tango triste, tango rante
Do meu tempo é Caferata
Eu conheço seu passado
Eu entendo sua traição
Os malandros não te olham
Com os mesmos olhos de antes
Porque foi no subúrbio que você nasceu
E o luxo foi sua sedução

Quantos caras se marcaram
Ao compasso dos seus acordes
E no subúrbio, como fantasmas
Se entrelaçaram com facão
E sua música dolorida
Sim, serviu de embalo
Pra que durma um sonho de bandido
O garoto de algum matador

Tango triste, tango rante
Do meu tempo é Caferata
O que você fez daquela vizinha
Minha irmã espiritual
Uma noite na milonga
Ao compasso dos seus acordes
Vi rolar de suas pupilas
Uma lágrima virginal

Tango triste, e hoje os malandros
Choram todos sua traição
Porque sabem que nunca mais
Você voltará pra sua casa
Porque você andou jogando
Com as cartas do baralho
E é em vão que te compram
Se não vão te desbancar

Agora você brilha com seus acordes
Como mina empoderada
Porque você é igual a todos
Os que vieram do barro
Os que até hoje, com absinto
Juntos nos envenenamos
Porque hoje estão na boa
Lançam seu grito triunfal

Se eu te pedisse contas
De tanto mal que você causou
Àquelas pobres mulheres
Nas suas noites de champanhe
Já, nem voltando ao berço
Onde começou sua existência
Você pagaria tanto dano
Ao que te chamou de 'gotán'

Composição: A. Irusta, R. Fugazot