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Uma Tarde

Carlos Gardel

Una Tarde

Una tarde de otoño, callada
A tu barrio te vieron volver
Barrio bravo, famosa cortada
Que entre guapos te viera perder
Se acercó un viejo amigo y te dijo
Tu viejita esperando se fue
Se ablandó tu guapeza al recuerdo
Y temblando dijiste: Lo sé

La noche, destiñendo los viejos conventillos
Paso por la barriada que en sombras se inundó
Y, recostado al muro, el viejo farolito
Campana de la noche, espiando parpadeo

Lo mismo que una sombra hundida entre otras sombras
Pasaste por la casa del triste callejón
Donde tu pobre vieja, con la esperanza siempre
De verte regresando, quemaba una ilusión

Y una tarde, cumplido, volvías
A tu barrio, tan solo por ver
La casita que tantos recuerdos
Sepultó de tus horas de ayer
Y viviendo el recuerdo de otrora
Sollozando un perdido querer
Te alejaste en la noche y ya nunca
Por tu barrio te vieron volver

Uma Tarde

Uma tarde de outono, silenciosa
Te viram voltar pro seu bairro
Bairro bravo, famosa quebrada
Que entre os malandros te viu perder
Um velho amigo se aproximou e te disse
Sua mãe tá te esperando, já foi
Teu orgulho se desfez na lembrança
E tremendo você disse: Eu sei

A noite, desbotando os velhos cortiços
Passei pela quebrada que se afundou em sombras
E, encostado na parede, o velho lampião
Sino da noite, espiando o piscar

Como uma sombra perdida entre outras sombras
Passou pela casa do triste beco
Onde sua pobre mãe, sempre com esperança
De te ver voltar, queimava uma ilusão

E uma tarde, cumprido, você voltava
Pro seu bairro, só pra ver
A casinha que tantos recuerdos
Enterrou das suas horas de ontem
E vivendo a lembrança de outrora
Sollozando um amor perdido
Você se afastou na noite e nunca mais
Te viram voltar pro seu bairro

Composição: B. Tagle Lara, J. F. Pollero, A. Ferrazano