exibições de letras 1.418

Cavalo Guardião

Carlos Magrão

LetraSignificado

    Quando vejo um piazito montado sobre um cavalo
    Lembro o primeiro regalo que tive na minha infância
    Um potro recém parido se afirmando nos cambitos
    O presente mais bonito que eu ganhei quando criança

    Ali mesmo na cocheira meu pai disse escolha um nome
    Na pureza de um menino eu segui meu coração
    Disse obrigado meu pai, abracei meu cavalinho
    Falei firme com carinho: O nome dele é guardião

    Alazão pêlo lavado e gateado nas canelas
    Meu potro virou cavalo, se tornou o xodó das éguas
    E eu no lombo era um centauro
    Pra delírio das donzelas
    E eu no lombo era um centauro
    Pra delírio das donzelas

    Logo ficou bom de dorso, cavalo de doma fácil
    Meu velho se encarregou de preparar o guardião
    A firmeza e a confiança, sua marca de domador
    Foi por isso que ficou de valor meu alazão

    Cresci na volta da estância no lombo desse cavalo
    Tirando e botando pealo, na lida virando homem
    O causo fica mais sério e ganha até ares de lenda
    Quando chegou na fazenda o boi chamado lobisomem

    O bicho era endiabrado quando pisou no gramado
    Descambou ladeira abaixo se enfiando no macegão
    Numa investida violenta soltando bafo das ventas
    Levou nas guampas uma cerca e se empenhou lá no capão

    A peonada pavorou-se e o boi berrando no mato
    Era assustado de fato e eu tinha que honrar meu nome
    Botei a bota no estribo e caí de rédeas na mão
    E falei pro guardião: Vamos encarar o lobisomem

    Alazão pêlo lavado e gateado nas canelas
    Meu potro virou cavalo, se tornou o xodó das éguas
    E eu no lombo era um centauro
    Pra delírio das donzelas
    E eu no lombo era um centauro
    Pra delírio das donzelas

    Era muito desaforo o bicho naquele berreiro
    Eu falei pros companheiros vou buscar, pouco me custa
    Vou tirar o bicho do mato à pranchaço de facão
    Montado no meu guardião nada no mundo me assusta

    Meu cavalo estava estranho como quem já pressentia
    Era uma tarde fria, o minuano cortava o rosto
    Desconfiado dei de rédea e descemos pela canhada
    Não sabia o que esperava naquela tarde de agosto

    Foram quase duas horas de peleia com o bandido
    Meu cavalo foi ferido bem na tala do pescoço
    O meu amigo sangrando e a guampa do boi vermelha
    Me olhando trocando orelha, babando e mugindo grosso

    Tirei o boi do mato, mas perdi o meu cavalo
    Nunca esqueço aquela tarde quando o Sol se avermelhou
    O meu amigo de infância, seu relincho silenciava
    Despedi do guardião e o meu coração chorou

    Alazão pelo lavado e gateado nas canelas
    Meu potro virou cavalo, se tornou o xodó das éguas
    E eu no lombo era um centauro
    Pra delírio das donzelas
    E eu no lombo era um centauro
    Pra delírio das donzelas

    Às vezes na madrugada, no silêncio da vigília
    Quando tudo silencia escuto a grama amassando
    Ouço barulho de estribo, rédeas arrastando no chão
    É a alma do guardião que anda por aí pastando
    Porque um amigo de infância visita o outro de vez em quando

    Alazão pelo lavado e gateado nas canelas
    Meu potro virou cavalo, se tornou o xodó das éguas
    E eu no lombo era um centauro
    Pra delírio das donzelas
    E eu no lombo era um centauro
    Pra delírio das donzelas


    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Carlos Magrão e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção