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Marinheira

Carlos Marín

Marinera

Espesa de brumas de todos los mares
y tu cara llena de curiosidad,
llegaste en un barco que vino a estos lares
de un país lejano como tu ansiedad.
Tenían tus ojos dulzuras de enero
empinado el gesto por la ensoñación.
Frescura en el alma, tu acento extranjero,
no sé qué destino me unió a tu ilusión.

Marinera...
Siento temblar todavía
tu mano puesta en la mía
soñando por la ribera.
Marinera...
Flor de espuma tan lejana
que encontrara una mañana
y como vino se fuera.
Marinera...
Tengo el recuerdo grabado
de aquel amor que he dejado
dolorido por la espera.
Marinera...
Ya nunca podré olvidarte
y aunque jamás pueda hallarte
siempre, siempre te querré.

Partiste un otoño que el puerto lloraba
la tristeza mustia de un cansancio gris.
Asombro en tus ojos, tus trenzas doradas
y marchita el alma rumbo a tu país.
Miraba con pena como se perdía
hacia el horizonte, lo que tanto amé.
La tarde mi angustia rimar parecía
y a compás lloramos por lo que se fue.

Marinheira

Espessa de brumas de todos os mares
e seu rosto cheio de curiosidade,
você chegou em um barco que veio a estas terras
de um país distante como sua ansiedade.
Seus olhos tinham a doçura de janeiro
com o olhar sonhador e um gesto elevado.
Frescor na alma, seu sotaque estrangeiro,
não sei que destino me uniu à sua ilusão.

Marinheira...
Sinto ainda tremer
sua mão na minha
sonhando à beira do rio.
Marinheira...
Flor de espuma tão distante
que encontrei uma manhã
e como veio se foi.
Marinheira...
Tenho a lembrança marcada
daquele amor que deixei
ferido pela espera.
Marinheira...
Nunca poderei te esquecer
e mesmo que nunca possa te encontrar
sempre, sempre vou te amar.

Você partiu em um outono que o porto chorava
a tristeza murcha de um cansaço cinza.
Surpresa em seus olhos, suas tranças douradas
e a alma murcha a caminho do seu país.
Eu olhava com pena como se perdia
em direção ao horizonte, o que tanto amei.
A tarde parecia rimar minha angústia
e em compasso choramos pelo que se foi.

Composição: