
Cocytus
Carminium
Cada vez mais fundo
Onde a luz da superfície não alcança
E minha garganta expele suplícios
Que dissociam-se em frações de segundo
Preso e enterrado vivo
Pelos prazeres da carne e pelo peso do remorso
Neste depósito de sonhos mortos
Que desci a esmo
E quando o futuro se transforma
Em uma concepção abstrata
Onde o fosco refrata o brilho dos olhos
E o frio anula o calor da consciência e das certezas
Percebo que a penitência foi selada
Com um escarro de existência
Que um dia julguei fazer parte
De minha própria natureza
Muito baixo para subir
Mas muito alto para cogitar seguir em frente
Frente à completa ausência do fulgor
Que existia entre o opaco, translúcido e transparente
Escalando o abismo até onde minhas pernas aguentarem
Aceitando a pena por dilacerar meus planos
Buscarei abrigo nos sorrisos
Na leveza e na inocência dos primeiros anos



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