Folle Amérique
Même si je chante en chinois vert
Je chante le blues de la détresse
Le blues de nos blessures en vers
Vos musiques nous collent à la peau
Et dans coeurs déracinés
Nos voix se touchent et s'entremêlent
Amour, love
Jamais, never
Rien, nothing
La nuit, the night
Soleil, the Sun
Hello, Bonjour
Reagan, Reagan
Reagan, Rimbaud
J'ignore si le dollar rend fou
Folles cependant sont les bourses
De Paris, de Londres, de Munich
Dollar infarctus
Dollar banqueroutes
Dollar dans nos têtes
Toi qui traverses Manhattan
Dans les vapeurs d'essence, de cock
Armé de béton, cherches, tu
À gratter le ciel de tes doigts?
Cherches, tu encore à aimer
Le cœur de l'enfant suffoqué?
Toi qui feins de ne plus savoir
Salvador, Chili, connais pas
Nicaragua, connais pas
Vietnam, oublié
Argentine, Cuba connais pas
Connais pas, connais pas, connais pas
L'image télévision ronronne
Le téléphone appelle encore
L'horloge se fout du temps qui passe
Dans le grenier à souvenirs
Ton enfant volatilisé
Et la bombe à neutrons Neutronne
Frères pendus de Chicago
Nègres des ghettos de Harlem
Indiens mutés dans vos réserves
Portoricains des bas quartiers
Tous pleurent, chantent par ma voix
Chant d'amour démultiplié
Je chante la mémoire d'un peuple
Pour les gosses qui vont lui naître
Pour le partage de l'utopie
Pour l'existence d'un champ de fleurs
Et pour le geste au quotidien
Je chante le blues
Folia América
Mesmo se eu canto em chinês verde
Eu canto o blues da angústia
O blues das nossas feridas em versos
Suas músicas grudam na nossa pele
E em corações desraizados
Nossas vozes se tocam e se entrelaçam
Amor, love
Jamais, never
Nada, nothing
A noite, the night
Sol, the Sun
Olá, Bonjour
Reagan, Reagan
Reagan, Rimbaud
Não sei se o dólar deixa louco
Mas as bolsas são doidas
De Paris, Londres, Munique
Dólar infarto
Dólar falências
Dólar nas nossas cabeças
Você que atravessa Manhattan
Nas vapores de gasolina, de crack
Armado de concreto, você
Tenta arranhar o céu com os dedos?
Você ainda busca amar
O coração da criança sufocada?
Você que finge não saber mais
Salvador, Chile, não conhece
Nicaragua, não conhece
Vietnã, esquecido
Argentina, Cuba não conhece
Não conhece, não conhece, não conhece
A imagem da televisão ronrona
O telefone toca de novo
O relógio não dá a mínima pro tempo que passa
No sótão das memórias
Seu filho volatilizado
E a bomba de nêutrons Neutronne
Irmãos enforcados de Chicago
Negros dos guetos de Harlem
Índios mutados nas suas reservas
Portorriquenhos das favelas
Todos choram, cantam pela minha voz
Canto de amor multiplicado
Eu canto a memória de um povo
Para as crianças que vão nascer
Pelo compartilhamento da utopia
Pela existência de um campo de flores
E pelo gesto cotidiano
Eu canto o blues