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Não Há Guarda-Chuva

Cátia de França

Letra

    Não há guarda-chuva contra o poema
    Não há guarda-chuva contra o amor
    Não há guarda-chuva contra o tédio
    Não há guarda-chuva contra o mundo
    Não há guarda-chuva contra o tempo
    Não há guarda-chuva contra a noite
    Não há guarda-chuva contra a ameaça
    Se vem vindo forte a tempestade
    Perco o medo
    Enfrento a fera
    Eu sei quem é ela, com essa minha tira na vontade

    Regiões onde tudo é surpresa
    Como uma flor mesmo num canteiro
    Que mastiga, que cospe como qualquer boca
    Que tritura como um desastre
    O tédio das quatro paredes
    O tédio das quatro estações
    Cada dia devorado nos jornais
    No tédio dos quatro pontos cardeais

    Não há guarda-chuva contra as filas
    Feito serpentes pelas calçadas
    Não há guarda-chuva para as crianças, pivetes, menores, abandonadas
    Não há guarda-chuva contra o veneno, o despeito do ser humano
    Não é à toa, pros inimigo
    Sou urtiga, sorrindo é que se castiga
    Sou paraibana de tutano

    Não há guarda-chuva contra a simpatia
    Se ela nos pega desprevenido
    Deixa a gente abobalhada dizendo coisas sem sentido
    Não há guarda-chuva contra a covardia, de erguer a cabeça ao menos por um dia
    Se você tem alma de borracha, munheca um pouco flácida
    Não ouça o que eu digo

    Composição: Cátia de França / Joao Cabral de Melo Neto. Essa informação está errada? Nos avise.
    Enviada por Bruno. Revisões por 2 pessoas. Viu algum erro? Envie uma revisão.

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