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Fui Hoje Ao Alentejo

Cátia Garcia

Letra

    Fui hoje ao Alentejo e vi paisagens
    De fome, de secura, de desalento
    Nenhuma alma dali sonha as viagens
    Que ao brilho de um Sol d’oiro faz o vento
    De fome, de secura, de desalento

    Meu Deus que gente é esta, que degredo
    Vive este povo ao Sul, que nada clama
    Há rugas de azinheiras nos seus dedos
    Mas não há nossas senhoras sobre a rama
    Deste meu povo ao Sul, que nada clama

    Olhem que céu azul com nuvens de poejo
    Que veio morar aqui no Alentejo
    Enxada a querer tirar do coração
    A terra onde me sofro e me revejo
    Malteses meus irmãos, baixem-me o Sol de agosto
    Venham cantar-me modas ao Sol-posto
    A este povo honesto é que eu pertenço
    A este mar de orgulho de amor imenso

    Fui hoje ao Alentejo e vim chorando
    Eu que sou feita em pedra da mais dura
    Meu povo, minha esperança em fogo brando
    Quando é que fazes tua, a tua altura
    Quando é que fazes tua a tua altura

    Fui hoje ao Alentejo e percebi
    Porque é que de Além-Tejo há só o nome
    Porque é que há tantos deuses por aí
    Enquanto tanta gente aqui tem fome
    Porque é que de Além-Tejo és só o nome

    Composição: Eduardo Olimpio / Paco Bandeira. Essa informação está errada? Nos avise.

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