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Ontem à Noite

Cátulo Castillo

Anoche

Anoche, mi amor,
anoche... te vi
pasar, sin dolor, con otro querer,
y ser feliz.
Tras ese escaparate de cristal,
¡dorada de metal
y rubia!...
¡Tu coche que pasó me salpicó
su noche de fangal y lluvia!
Anoche, mi amor,
anoche... te vi.

¡Qué pálida tenés la tez marfil
por más que esté a tus pies
la vida vil!
¡Envuelto en su visón me presintió
temblando de ansiedad, tu corazón!...

Yo estaba en el cordón,
¡desesperado! ...
Nublada la razón,
¡deshilachado! ...
¡Qué pálida tenés tu tez marfil!
¡Qué extraña y qué febril tu palidez!

Anoche, tal vez,
anoche, mi bien,
recién comprendí
tu mal, y lo que es
vivir, morir,
mintiendo la ilusión que claudicó
¡vendiéndote a un visón y a un coche!
Llorando por la noche en un rincón,
cuando habla al corazón la noche...
Anoche, mi amor,
anoche... te vi.

Ontem à Noite

Ontem à noite, meu amor,
ontem à noite... eu te vi
passar, sem dor, com outro amor,
e ser feliz.
Atrás daquela vitrine de cristal,
com brilho de metal
e loira!...
Teu carro que passou me molhou
com sua noite de lama e chuva!
Ontem à noite, meu amor,
ontem à noite... eu te vi.

Que pálida você está, com a pele de marfim
por mais que a vida vil
esteja aos seus pés!
Envolto em seu vison, meu coração
sentiu sua ansiedade tremendo!...

Eu estava na calçada,
¡desesperado!...
Nublada a razão,
¡desfeita!...
Que pálida você está, com a pele de marfim!
Que estranha e febril é a sua palidez!

Ontem à noite, talvez,
otem, meu bem,
acabei de entender
tuas dores, e o que é
viver, morrer,
mintindo a ilusão que se rendeu
¡vendendo-se a um vison e a um carro!
Chorando à noite em um canto,
quando a noite fala ao coração...
Ontem à noite, meu amor,
ontem à noite... eu te vi.

Composição: Cátulo Castillo - Armando Pontier