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As Indiferentes

Caussimon Jean-Roger

Les indifférentes

J'ai pris à Mackie son costume
Mais sa complainte sans appel
Qu'il se la chante à Withchapel
Je suis allergique à la brume.
J'ai acheté, avec les rentes
Que me rapportent mes chansons
A un taulier de Barbizon,
Une guinguette pas marrante
Même au plus beau de la saison.

C'est pour mes belles indifférentes
Que je voulais mettre en prison !
Ces filles-là sont toutes celles
Qui jadis, quand j'avais du cœur,
M'assassinaient d'un air moqueur
Ou bien se prétendaient pucelles.
Leurs prénoms c'est monnaie courante
L'important, c'est qu'elles soient là
En frêles robes de gala
Et qu'elles soient restées charmantes,
Mes Ophélie de cinéma.

Elles ne sont plus indifférentes,
Maintenant, elles ont peur de moi

Elles ne seront plus à personne,
Elles garderont leur beauté
Pas plus qu'il n'y aura d'été
Pour elles ne viendra l'automne.
Dans ce jardin où se lamente
A tout jamais le vent d'hiver,
Sur le pick-up c'est le même air
D'une musique sidérante
Et qui leur tape sur les nerfs.

Et mes belles indifférentes
Sont sensibles à ce truc pervers

Il faut les voir quand je radine
Grandi par mes talons bottier
Et que je prends un air altier
En faisant siffler ma badine.
Elles m'apportent, déférentes,
Mes cigarettes, mon whisky
Mais je ne dis jamais merci
Et garde une moue méprisante
A la manière de Mackie.

Et mes belles indifférentes
De leurs mains glacées me supplient

Elles supplient pendant des heures,
Ce n'est pas du travail bâclé
Et tout à coup je ferme à clef
Et je les laisse là, qui pleurent,
N'écoutez pas les gens qui mentent
En disant qu'ils ont rencontré
L'une ou l'autre, ce n'est pas vrai !
C'est des sosies ou des parentes,
Les vraies de vrai sont enfermées.

Dans ma guinguette pas marrante
D'où elles ne sortiront jamais

Mes vraies, mes belles indifférentes
Que je n'ai pas cessé d'aimer.

As Indiferentes

Eu peguei do Mackie seu terno
Mas sua queixa sem apelo
Que ele cante lá em Withchapel
Eu sou alérgico à neblina.
Com o que ganho, com as rendas
Que minhas músicas me trazem
Comprei de um dono de Barbizon,
Uma balada sem graça
Mesmo no auge da estação.

É por minhas belas indiferentes
Que eu queria colocar na prisão!
Essas garotas são todas aquelas
Que antigamente, quando eu tinha coração,
Me matavam com um olhar zombeteiro
Ou se faziam de donzelas.
Seus nomes são comuns
O importante é que elas estejam lá
Em frágeis vestidos de gala
E que tenham permanecido encantadoras,
Minhas Ofélias de cinema.

Elas não são mais indiferentes,
Agora, elas têm medo de mim.

Elas não serão de mais ninguém,
Elas manterão sua beleza
Assim como não haverá verão
Para elas, o outono não virá.
Neste jardim onde se lamenta
Para sempre o vento de inverno,
No toca-discos é a mesma canção
De uma música deslumbrante
E que as irrita.

E minhas belas indiferentes
São sensíveis a essa coisa perversa.

É preciso vê-las quando eu me faço de difícil
Aumentando com meus saltos altos
E que eu coloco um ar altivo
Fazendo minha bengala assobiar.
Elas me trazem, deferentes,
Meus cigarros, meu whisky
Mas eu nunca digo obrigado
E mantenho uma expressão de desprezo
À maneira do Mackie.

E minhas belas indiferentes
Com suas mãos geladas me imploram.

Elas imploram por horas,
Não é um trabalho mal feito
E de repente eu fecho a chave
E as deixo lá, chorando,
Não escutem as pessoas que mentem
Dizendo que encontraram
Uma ou outra, isso não é verdade!
São sósias ou parentes,
As verdadeiras estão trancadas.

Na minha balada sem graça
De onde elas nunca sairão.

Minhas verdadeiras, minhas belas indiferentes
Que eu nunca deixei de amar.

Composição: