Lloró Como Una Mujer
Recitado:
Cotorro al gris. una mina
Ya sin chance por lo vieja
Que sorprenden a su garabo
En el trance de partir,
Una escena a lo melato
Y entre el llanto y una queja
Arrodillada ante su hombre
Así se lo oyó decir:
Me engrupiste bien debute con el cuento 'e la tristeza,
Pues creí que te morías si te dejaba amurao...
Pegabas cada suspiro que hasta el papel de la pieza
Se descolaba de a poco hasta quedar descolgao.
Te dio por hacerte el loco y le pegaste al alpiste,
Te piantaron del laburo por marmota y por sobón...
Yo también al verte enfermo empecé a ponerme triste
Y entré a quererte, por sonsa, a fuerza de compasión.
Como quedaste en la vía y tu viejo, un pobre tano,
Era chivo con los cosos pelandrunes como vos,
Me pediste una ayuda entonces te di una mano
Alquilando un cotorrito por el centro pa' los dos.
Allá como a la semana me mangaste pa' cigarros,
Después pa' cortarte el pelo y pa' ir un rato al café;
Una vez que discutimos me tiraste con los tarros,
Que si no los gambeteo estaba lista, no sé...
Te empezó a gustar el monte y dejaste en la timba
Poco a poco la vergüenza, la decencia y la moral,
Como entró a escasear el vento me diste cada marimba
Que me dejaste de cama con vistas al hospital...
¿decime si yo no he sido para vos como una madre?
¿decime si yo merezco lo que me pensás hacer?
Bajó el bacán la cabeza y él, tan rana y tan compadre,
Besándole los cabellos lloró como una mujer.
Chorou Como Uma Mulher
Recitado:
Cotorro cinza. Uma mina
Já sem chance por ser velha
Que surpreende seu garabo
No momento de partir,
Uma cena bem melancólica
E entre o choro e uma queixa
De joelhos diante do homem
Assim se ouviu dizer:
Me enganou direitinho, comecei com a história da tristeza,
Pois achei que você morria se eu te deixasse na mão...
Você soltava cada suspiro que até o papel da peça
Descolava aos poucos até ficar descolado.
Você resolveu fazer de conta e se jogou no alpiste,
Te mandaram embora do trampo por bobo e por grudento...
Eu também, ao te ver doente, comecei a ficar triste
E passei a te querer, por boba, na força da compaixão.
Como você ficou na rua e seu velho, um pobre italiano,
Era mão fechada com os caras pelandrões como você,
Me pediu uma ajuda, então eu te dei uma mão
Alugando um cotorro no centro pra nós dois.
Lá pra uma semana, você me pediu pra cigarros,
Depois pra cortar o cabelo e pra ir um tempo no café;
Uma vez que discutimos, você jogou as latas,
Que se eu não desviasse, tava feita, não sei...
Você começou a gostar do monte e deixou na jogatina
Pouco a pouco a vergonha, a decência e a moral,
Como começou a faltar grana, você me deu cada marimba
Que me deixou na cama com vista pro hospital...
Diz pra mim se eu não fui pra você como uma mãe?
Diz pra mim se eu mereço o que você tá pensando fazer?
O bacana abaixou a cabeça e ele, tão sapo e tão camarada,
Beijando os cabelos, chorou como uma mulher.