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Mala Entraña

Celedonio Flores

Mala Entraña

Te criaste entre malevos,
Malandrines y matones,
Entre gente de avería
Desarrollaste tu acción;
Por tu estampa, en el suburbio
Florecieron los balcones,
Y lograste la conquista
De sensibles corazones
Con tu prestigio sentado
De buen mozo y de varón.

Mezcla rara de magnate
Nacido en el sabalaje,
Vos sos la calle florida
Que se vino al arrabal.
¡compadrito de mi esquina,
Que sólo cambió de traje!
Pienso, siempre que te veo
Tirándote a personaje,
Que sos mixto jaulero
Con berretín de zorzal.

Malandrín de la carpeta,
Te timbeaste de un biabazo
El caudal con que tu vieja
Pudo vivir todo un mes,
Impasible ante las fichas,
En las noches de escolaso
O en el circo de palermo,
Cuando a taco y a lonjazo
Te perdés por un pescuezo
La moneda que tenés.

Y es por eso que asentaste
Tu cartel de indiferente,
Insensible a los halagos
De la vida y al sufrir;
Se murió tu pobre madre,
Y en el mármol de tu frente
Ni una sombra, ni una arruga
Que deschavara, elocuente,
Que tu vieja no fue un perro,
Y que vos sabés sentir...

Pero al fin todo se acaba
En esta vida rastrera
Y se arruga el más derecho
Si lo tiran a doblar;
Vos, que sos más estirado
Que tejido de fiambrera,
Dios no quiera que te cache
La mala vida fulera,
Que si no, como un alambre,
Te voy a ver arrollar.

Mala Entraña

Você cresceu entre malandros,
Malandrins e brutamontes,
Entre gente de quebrada
Desenvolveu sua ação;
Pela sua estampa, na quebrada
Floresceram os varandões,
E conseguiu a conquista
De corações sensíveis
Com seu prestígio sentado
De bom moço e de homem.

Mistura rara de magnata
Nascido na malandragem,
Você é a rua florida
Que veio pro subúrbio.
Compadrito da minha esquina,
Que só trocou de roupa!
Penso, sempre que te vejo
Se jogando de personagem,
Que você é um misto de galo
Com jeito de zorzal.

Malandro da cartela,
Você se arriscou num biabazo
O dinheiro que sua mãe
Pôde viver um mês,
Impassível diante das fichas,
Nas noites de jogatina
Ou no circo de Palermo,
Quando, na sorte e na marra,
Você perde por um pescoço
A grana que tem.

E é por isso que você colocou
Seu cartaz de indiferente,
Insensível aos elogios
Da vida e ao sofrer;
Sua pobre mãe morreu,
E na pedra da sua testa
Nem uma sombra, nem uma ruga
Que desmascarasse, eloquente,
Que sua mãe não foi um cachorro,
E que você sabe sentir...

Mas no fim tudo se acaba
Nesta vida rasteira
E se amassa o mais reto
Se o jogam pra dobrar;
Você, que é mais estirado
Que tecido de fiambrera,
Deus não queira que te pegue
A vida ruim e safada,
Porque senão, como um arame,
Eu vou te ver se enrolar.