Que des Yeux Vides et Séchés
Vous calculez le cours du temps à l'an près,
En ravageant votre condition à moindre frais,
Pensez vous vivre une vie de conscient,
Décidés à compter les secondes pour de bon.
Il faut brûler cette compilation de débris qui amoncellent,
Tous ces lambeaux déverni.
Balayez les porches de vos maisons,
Sciez les barreaux de vos prisons.
C'est du gâchis,
On se parle à peine,
On se taille les veines,
C'est un cercle maudit,
Un monceau de haine auquel on s'enchaine.
Privé d'une propre histoire,
La bouche ouverte,
On regarde les trains passer,
Menottés au comptoir,
On compte en choeur les mouches écrasées.
Pas le moindre éclair,
Que des yeux vides et séchés,
Il faudrait faire la poussière et vider le grenier.
Le pouvoir de se laisser aller
Tant au moins à se consoler mais même sans avoir rien à perdre,
On ne peut qu'admirer car sans même être pauvres,
Ou laminés,
Vous attirez des regards de pitié.
Derniers là où en soit,
Vous devriez tirer les premiers,
Là,
Juste là,
On a le droit de rêver.
Com Olhos Vazios e Secos
Vocês calculam o tempo como se fosse um ano,
Destruindo sua condição sem gastar muito,
Acham que vivem uma vida consciente,
Decididos a contar os segundos de verdade.
É preciso queimar essa pilha de entulho que se acumula,
Todos esses retalhos desbotados.
Varrer as entradas das suas casas,
Cortar as barras das suas prisões.
É um desperdício,
Mal nos falamos,
Nos cortamos as veias,
É um círculo amaldiçoado,
Um monte de ódio ao qual estamos acorrentados.
Privados de uma história própria,
Boca aberta,
Assistimos os trens passarem,
Algemados ao balcão,
Contamos em coro as moscas esmagadas.
Nem um raio de luz,
Só olhos vazios e secos,
Seria bom tirar a poeira e esvaziar o sótão.
O poder de se deixar levar
Pelo menos para se consolar, mas mesmo sem nada a perder,
Só podemos admirar, pois sem nem sermos pobres,
Ou arrasados,
Vocês atraem olhares de pena.
Últimos onde quer que estejam,
Deveriam ser os primeiros a agir,
Ali,
Bem ali,
Temos o direito de sonhar.