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Ai, Dor, Dores

Celia Cruz

Ay, Pena, Penita

Si en el firmamento poder yo tuviera,
esta noche negra lo mismo que un pozo,
con un cuchillito de luna, lunera,
cortaría los hierros de tu calabozo

Si yo fuera reina de la luz del día,
del viento y del mar,
cordeles de esclava yo me ceñiría
por tu libertad

¡Ay, pena, penita, pena, pena,
pena de mi corazón,
que me corre por las venas, pena,
con la fuerza de un ciclón!

Es lo mismo que un nublao
de tiniebla y pedernal
es un potro desbocado
que no sabe dónde va

Es un desierto de arena, pena,
es mi gloria, es i penar
¡Ay, pena! ¡Ay, pena!
¡Ay, pena, penita, pena!

Yo no quiero flores, dinero, ni palmas,
quiero que me dejen llorar tus pesares,
y estar a tu vera, cariño del alma,
bebiéndome el llanto de tus soleares

Me duelen los ojos de mirar sin verte,
reniego de mí,
que tienen la culpa de tu mala suerte
mis rosas de abril

¡Ay, pena, penita, pena -pena-,
pena de mi corazón,
que me corre por las venas -pena-,
con la fuerza de un ciclón

Es lo mismo que un nublao
de tiniebla y pedernal
es un potro desbocado
que no sabe dónde va

Es un desierto de arena, ¡ay, pena!,
es mi gloria, es mi penar
¡Ay, penal! ¡Ay, penal!
¡Ay, pena, penita, pena!
Pena de mi corazón...

Ai, Dor, Dores

Se no céu eu pudesse ter poder,
esta noite escura como um poço,
com uma facinha de lua, lunera,
cortaria as correntes do seu calabouço.

Se eu fosse rainha da luz do dia,
do vento e do mar,
correntes de escrava eu me amarraria
pela sua liberdade.

Ai, dor, dorzinha, dor, dor,
dor do meu coração,
que corre pelas veias, dor,
com a força de um ciclone!

É a mesma coisa que um nublado
de trevas e pederneira,
é um potro desbocado
que não sabe pra onde vai.

É um deserto de areia, dor,
é minha glória, é meu penar.
Ai, dor! Ai, dor!
Ai, dor, dorzinha, dor!

Eu não quero flores, dinheiro, nem palmas,
quero que me deixem chorar suas mágoas,
e estar ao seu lado, amor da alma,
bebendo seu pranto de suas soleares.

Me doem os olhos de olhar sem ver-te,
renego de mim,
que têm a culpa da sua má sorte
minhas rosas de abril.

Ai, dor, dorzinha, dor -dor-,
dor do meu coração,
que corre pelas veias -dor-,
com a força de um ciclone.

É a mesma coisa que um nublado
de trevas e pederneira,
é um potro desbocado
que não sabe pra onde vai.

É um deserto de areia, ai, dor!,
é minha glória, é meu penar.
Ai, dor! Ai, dor!
Ai, dor, dorzinha, dor!
Dor do meu coração...

Composição: Leon / Quintero / López Quiroga