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Apegos e Anseios do meu Canto

César Oliveira e Rogério Melo

Letra

    Rezo esta prece frente ao altar que me atrai
    Aquerenciado nesta crença que levanto
    Junto ao apego que sustenta minha gana
    De ser terrunho, crioulo do chão que canto

    Trago comigo tropilhas de pingos buenos
    Rodeios grandes costeados nos paradouros
    Gritos de venha que requintavam lonjuras
    Em meio à poeira baguala dos corredores

    Levo por diante repontando pela força
    Desta cantiga que alimenta um sonho pampa
    O anseio pátrio que eu herdei dos que pelearam
    Pra que hoje em dia seja um marco à nossa estampa

    Erguerei ranchos na imensidão do meu mundo
    Deixarei rastros de tanto cruzar distâncias
    Pra que a existência do meu canto se eternize
    Com o mesmo entono de um grito de um peão de estância

    Que ainda ecoa em algum fundo de campo
    Alto e liberto num repique fascinante
    Ganhando espaço a cada romper de aurora
    Que o sol destapa levando o resto por diante

    Assim meu canto será mais que o meu destino
    E algo disso deixarei pelos caminhos
    Pra que algum dia eu escute em alguma boca
    Coisas que eu sei que nunca cantei sozinho.


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