395px

Eu Bebo

Charles Aznavour

I Drink

I drink to drive away all the years I have hated,
The ambitions frustrated that no longer survive.
I drink day after day to the chaos behind me,
Yes, I drink to remind me that still I'm alive.

So I give you a toast to the endless confusions,
To the lies and delusions that have swallowed my life.
Yes, I give you a toast to the wine and the roses,
To the deadly cirrhosis that can cut like a knife.

I drink to catch a gleam of the love we degraded,
Of a life that has faded like the vanishing moon.
I drink, as in a dream, to my waning desire,
To the passionate fire that has burned out so soon.

I drink and I drown in the promise you made me,
All the times you betrayed me in your anger and spite,
When you took on the town, when you looked for the action,
When you took satisfaction, like a whore in the night.

I drink to make-believe that my life is worth living,
That the gods are forgiving at the end of the day.
I drink because I grieve for the dreams when we started,
For the innocent-hearted who got lost on the way.

For the children unborn, for their dead, phantom faces,
For our sterile embraces in the tomb of your bed.
I drink, and I mourn for the harvest that failed,
For the ship that has sailed, for the hope that is dead.

I drink to find a place where the darkness can hide me
Till the terror inside me can at last disappear.
I drink to my disgrace, till oblivion claims me
Till there's nothing that shames me, till I'm blind to my fear.

Yes, I drink till I burst in my own degradation,
To the edge of damnation that is waiting below.
Yes, I drink with a thirst that destroys and depraves me
And cuffs and enslaves me, and will never let go.

I drink until I'm lost, and the street is my hideout
Where I vomit my pride out till I'm gasping for breath.
I drink to count the cost of a life I despair for
Until God hears my prayer for the compassion of death.

So I spit out my bile at the gods who demean us,
At the silence between us, at the love none can save.
For a life that is vile, for a soul that is ailing
For a body that's failing as it heads for the grave.

I drink without a care… drink because I must…
drink to my despair… I drink to your disgust…
I drink, drink, drink… by God, I drink!
Yes, I drink!

Eu Bebo

Eu bebo pra afastar todos os anos que odiei,
As ambições frustradas que não sobrevivem mais.
Eu bebo dia após dia para o caos que ficou pra trás,
Sim, eu bebo pra me lembrar que ainda estou vivo.

Então eu faço um brinde às confusões sem fim,
Às mentiras e ilusões que engoliram minha vida.
Sim, eu faço um brinde ao vinho e às rosas,
À cirrose mortal que pode cortar como uma faca.

Eu bebo pra captar um brilho do amor que degradamos,
De uma vida que se apagou como a lua que desaparece.
Eu bebo, como em um sonho, para meu desejo que murcha,
Para o fogo apaixonado que se apagou tão cedo.

Eu bebo e me afundo na promessa que você me fez,
Todas as vezes que você me traiu na sua raiva e desprezo,
Quando você dominou a cidade, quando buscou a ação,
Quando você se satisfez, como uma puta na noite.

Eu bebo pra fingir que minha vida vale a pena,
Que os deuses são perdoados no final do dia.
Eu bebo porque lamento pelos sonhos que tivemos,
Pelos inocentes que se perderam pelo caminho.

Pelas crianças não nascidas, pelos seus rostos fantasmas,
Pelos nossos abraços estéreis no túmulo da sua cama.
Eu bebo, e lamento pela colheita que falhou,
Pelo navio que partiu, pela esperança que morreu.

Eu bebo pra encontrar um lugar onde a escuridão me esconda
Até que o terror dentro de mim possa finalmente desaparecer.
Eu bebo pra minha desgraça, até que o esquecimento me reclame
Até que não haja nada que me envergonhe, até que eu fique cego para meu medo.

Sim, eu bebo até explodir na minha própria degradação,
Na beira da condenação que está esperando lá embaixo.
Sim, eu bebo com uma sede que me destrói e deprava
E algema e escraviza, e nunca vai me soltar.

Eu bebo até me perder, e a rua é meu esconderijo
Onde eu vomito meu orgulho até ficar sem fôlego.
Eu bebo pra contar o custo de uma vida pela qual eu desespero
Até que Deus ouça minha oração pela compaixão da morte.

Então eu cuspo minha bile nos deuses que nos menosprezam,
No silêncio entre nós, no amor que ninguém pode salvar.
Por uma vida que é vil, por uma alma que está doente
Por um corpo que está falhando enquanto caminha para a cova.

Eu bebo sem me importar… bebo porque preciso…
bebo para meu desespero… eu bebo para seu desgosto…
eu bebo, bebo, bebo… por Deus, eu bebo!
Sim, eu bebo!

Composição: Charles Aznavour / Georges Garvarentz