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A Casa Assombrada

Charles Aznavour

La Maison Hantée

J'habite une maison hantée
De la cave jusqu'au grenier
C'est incroyable
C'est fait de rires aux éclats
Et puis de plaintes, quelquefois
Insoutenables
Des objets partent sans raison
Ma visant avec précision
Je les évite
Il y a des meubles renversés
Et des tentures arrachées
Des bruits de fuite
J'entends pleurer dans les couloirs
Claquer des portes et des tiroirs
Mais fataliste
J'habite une maison hantée
Pourtant je n'ai pas appelé
Un exorciste

J'habite une maison hantée
Que j'aurais du mal à quitter
Car hypocrite
J'adore au plus profond des nuits
Certains chuchotements et cris
Alors j'hésite
L'esprit du mal et puis du bien
Semblent s'être donnés la main
Quand ils me pincent
Je sens un souffle contre moi
Dans le noir s'envolent les draps
Et le lit grince
Je ne suis plus maître de rien
Parfois jusqu'au matin
L'orage gronde
J'habite une maison hantée
Mais je n'aimerais en changer
Pour rien au monde

J'habite une maison hantée
Non par un monstre décharné
Ou un fantôme
Mais par un feu follet subtil
Qui tient mon coeur au bout d'un fil
Et dans ses paumes
Un petit génie plein de vie
Qui n'a rien, entre nous soit dit
D'un ectoplasme
Et qui sait au-delà de tout
Combler mes rêves les plus fous
Et mes fantasmes
Je suis envoûté tant et tant
Que j'en perds la notion du temps
Et de moi-même
Aussi pourquoi nous le cacher
J'habite une maison hantée
Par toi qui m'aime
Et moi qui t'aime
A m'en damner

A Casa Assombrada

Eu moro em uma casa assombrada
Do porão até o sótão
É inacreditável
É feita de risadas altas
E às vezes de queixas
Insuportáveis
Objetos vão embora sem razão
Me mirando com precisão
Eu os evito
Tem móveis virados
E cortinas rasgadas
Barulhos de fuga
Eu ouço chorar nos corredores
Portas e gavetas batendo
Mas, fatalista
Eu moro em uma casa assombrada
Ainda assim, não chamei
Um exorcista

Eu moro em uma casa assombrada
Que eu teria dificuldade em deixar
Porque, hipócrita
Eu adoro nas profundezas da noite
Alguns sussurros e gritos
Então eu hesito
O espírito do mal e do bem
Parece ter se dado as mãos
Quando eles me beliscam
Sinto um sopro contra mim
No escuro, os lençóis voam
E a cama range
Não sou mais dono de nada
Às vezes até de manhã
A tempestade ruge
Eu moro em uma casa assombrada
Mas não gostaria de mudar
Por nada neste mundo

Eu moro em uma casa assombrada
Não por um monstro esquelético
Ou um fantasma
Mas por um fogo-fátuo sutil
Que mantém meu coração na ponta de um fio
E em suas palmas
Um pequeno gênio cheio de vida
Que não tem nada, entre nós, a se dizer
De um ectoplasma
E que sabe, além de tudo
Satisfazer meus sonhos mais loucos
E meus fantasmas
Estou tão enfeitiçado
Que perco a noção do tempo
E de mim mesmo
Então, por que esconder isso?
Eu moro em uma casa assombrada
Por você que me ama
E eu que te amo
A ponto de me condenar

Composição: Charles Aznavour