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Um Corpo

Charles Aznavour

Un Corps

Un corps pour m'étendre à côté
Dans l'ombre, épaule contre épaule
Un corps frémissant que je frôle
Avant que de le posséder

Un corps pour me pencher dessus
Et par d'imperceptibles touches
Des doigts et de la bouche
En violer tous les inconnus

Un corps de femme, femme
Brûlant de mille flammes
Mi-tigresse et mi-biche
Ou bien encore en friche
Pudique et désarmant
Un corps frêle de femme-enfant

Un corps pour y damner mes nuits
Devenant moi-même le diable
D'un enfer désirable
Vivant sous ciel de lit

Un corps qui se dispute
Se prend de haute lutte
Ennemi ou complice
Au gré de son caprice
Tendre ou griffes dehors
Un corps à vaincre au corps à corps

Un corps pour y donner le jour
A une folle symphonie
En y semant la vie
Pour récolter l'amour

Um Corpo

Um corpo pra eu me estender ao lado
Na sombra, ombro a ombro
Um corpo tremendo que eu toco
Antes de possuí-lo

Um corpo pra eu me inclinar sobre
E com toques imperceptíveis
Com os dedos e a boca
Violentar todos os desconhecidos

Um corpo de mulher, mulher
Ardendo em mil chamas
Meia-tigresa e meia-cerva
Ou ainda em estado bruto
Pudica e desarmante
Um corpo frágil de mulher-menina

Um corpo pra eu condenar minhas noites
Tornando-me eu mesmo o diabo
De um inferno desejável
Vivendo sob um céu de lençol

Um corpo que se disputa
Se agarra em luta intensa
Inimigo ou cúmplice
Conforme seu capricho
Terno ou com garras de fora
Um corpo a ser vencido no corpo a corpo

Um corpo pra eu dar à luz
A uma louca sinfonia
Semear a vida
Pra colher o amor

Composição: Charles Aznavour