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Não Estou Curado das Minhas Anos de Infância

Charles Aznavour

Pas Guéri De Mes Années D'Enfance

Je ne suis pas guéri de mes années d'enfance
Qui viennent me hanter chaque jour un peu plus
Quand revivent en moi des voix qui se sont tues
Et me serrent la gorge et blessent mes silences

Je ne suis pas guéri de mes années d'enfance
Et je n'ai pas trouvé de remède à ce mal
Dont ma mémoire exsangue est le lit d'hôpital
Sur lequel mon passé cherche sa survivance

Et je perçois au coeur le poignard de l'absence
Revoyant mes parents en me tenant la main
Tous les hommes sont nés pour rester orphelins
Hier à peine est vécu, que déjà c'est demain

Je ne suis pas guéri de mes années d'enfance
Au jardin de mon coeur il est des coins secrets
Dont les roses d'hier ne se fanent jamais
Où l'ai est si doux que j'y prends mes vacances

J'ai le mal du passé, mal du temps qui avance
Les chemins de ma vie sont jalonnés de croix
Et lorsque je regarde ému derrière moi
Les images se figent et s'estompent parfois

Je ne suis pas guéri de mes années d'enfance
D'ailleurs je le pourrais que je ne le veux pas
Tant j'aime, les yeux clos, revenir sur mes pas
Et remonter le cours fou de mon existence
Jusqu'aux années d'enfance

Não Estou Curado das Minhas Anos de Infância

Não estou curado das minhas anos de infância
Que vêm me assombrar a cada dia um pouco mais
Quando revivem em mim vozes que se calaram
E me apertam a garganta e ferem meus silêncios

Não estou curado das minhas anos de infância
E não encontrei remédio pra essa dor
Cujo leito de hospital é minha memória exangue
Sobre o qual meu passado busca sua sobrevivência

E percebo no coração a adaga da ausência
Revejo meus pais me segurando a mão
Todos os homens nasceram pra serem órfãos
Ontem mal foi vivido, que já é amanhã

Não estou curado das minhas anos de infância
No jardim do meu coração há cantos secretos
Cujas rosas de ontem nunca murcham
Onde o ar é tão doce que tiro minhas férias

Sinto a dor do passado, dor do tempo que avança
Os caminhos da minha vida estão marcados por cruzes
E quando olho emocionado pra trás
As imagens se congelam e às vezes se esvanecem

Não estou curado das minhas anos de infância
Aliás, eu poderia, mas não quero
Pois amo, com os olhos fechados, voltar pelos meus passos
E remontar o curso louco da minha existência
Até os anos de infância

Composição: Charles Aznavour