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Retalhos de Saudade

Chico Rey e Paraná

Letra

    Manso remanso que murmura docemente
    Neste retiro silencioso no sertão
    Os cavaquinhos dando volta na corrente
    Com a cigarra a zunir no espigão
    De muito longe vem o som da fazendinha
    É o retireiro a tratar da criação
    O sol se põe, a tarde cai, a noite desce
    Neste amado fim de mundo quase morro de emoção

    Piá de novo meu querido bacurau
    Na velha cava que outrora foi caminho
    Enquanto fazes contra canto à urutau
    Deixa que eu volte ao passado com carinho
    Serra das Mesas, lá morou a tia Zefa
    Tia Abadia, um pouco além, no Douradinho
    Pelas quebradas há um canto diferente
    Rouxinol desiludido que retorna hoje ao ninho

    O sertanejo sempre volta às origens
    No desespero de encontrar tranquilidade
    Embora quase não existam matas virgens
    A gente encontra os retalhos de saudade
    Uma tapera com os restos de um curral
    São fragmentos do que foi a mocidade
    Se a saudade é um bem que me faz mal
    Vou vivendo de lembranças para ter felicidade

    Composição: Francisco Do Carmo / Goia. Essa informação está errada? Nos avise.

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