exibições de letras 28

Xei di Kor (feat. Braima Galiss​á​ & Mick Trovoada)

Chullage

Letra

    Só pra avisar
    Que nada vai ficar retido na minha laringe
    Teu monopólio da verdade, morreu, quando eu
    Matei o tu que eras eu
    Pra nascerem novos mims, livre
    Das gavetas, grilhetas e tretas
    Que espalhas por ecrãs e boletins
    Eu vim com cometas, por mais que tu metas
    Barreiras, não me restringes
    Por mais que cometas, matanças ruins
    Por mais que me metas, por andanças ruins
    Contínuo aqui, Ogum abre os caminhos
    Pra que eu não morar nos teus confins
    Capinar os teus jardins
    Limpar os teus camarins
    Numa vida que fica a meio na fronteira
    Plantação, ou na prisão onde me cinges
    Ou que nunca chega à meio
    Quando esse joelho me sufoca
    E a tua bala me atinge tinges
    As ruas a vermelho, mas vou tingir a rua
    Com um mar de gente preta e machins finges
    A mim não enganas com um preto na TV
    Dois ou três manequins
    A mim não me enganas com CMTV
    Metida em todos os botequins finges
    Bates-te bué, mas sabes que finges
    Bates-te todo, mas sabes que finges
    Eu não sou um meio p’ra atingires os teus fins
    Já não sou do gueto onde me puseste
    Eu vou voltar pra minha esfinge
    Já não sou um preto ami é prétu, tu não me restringes
    A mim e xei di kor, ami é prétu, tu já não me restringes
    Minha alma não é gueto é Kilombo, tu já não me restringes
    Viajo num 808 riba dum bombo, tu já não me restringes
    Às tuas ideias feitas, feitorias
    Teus feitos, feitores e afins
    Tuas epopeias, seitas, reitorias
    Teus anjos e querubins
    Aos saberes e as histórias que tu me impinges
    Sofrimento das memórias que tu me infliges
    E que eu me inflijo
    A querer ser um quinto de ti
    Quando bastava ser eu por inteiro pra ser feliz
    Neste que corpo que disseste não ter alma há tanta luz
    Que ofusca a tua história eu infrinjo
    O teu cinzento com tanta cor, que sentes serem motins
    Cada prétu xei di kor sentes serem motins
    No mundo monocromático
    Onde és rei e senhor a incutir o teu latim
    Ficar com o latifúndio e pôr-me a tirar capim
    Dar a fala Pós-Colonial quando ainda estás em África
    A cavar ouro, a arrancar marfim
    Com essa conversa
    De Lisboa Nova, tens um toque de midas
    Tudo o que pegas que era meu
    Agora é nosso, daqui a pouco será teu, e pelo meio roubas vidas
    Mas faz bom proveito, vai com a farinha
    Que eu já tenho outro kus kus a subir em água fervida
    Tu e esses meus líderes que vivem de disparar ashtags
    Com o nome dum preto morto
    Mas eu quero é celebrar um preto em vida
    Em vez de hostilizar um preto em vida
    P'ra ser o dono da Negritude na casa grande
    E ver minha fala aplaudida
    No lugar da fala onde só fala a elite preta
    Enquanto outra preta faz a lida
    E há sempre um branco que valida
    Ou há sempre um branco que invalida
    Mano - Eu quero é celebrar uma preto em vida
    Mano eu já estou farto dessa imagem combalida
    De pretos a morrer no passeio
    Brancos a marchar no BLM tipo um passeio
    A achar que sabes aquilo que passei
    Quando não sabes explicar
    Meu património na vitrine do teu museu, mas eu sei
    Este preto não vai levar a vida em branco, vou partir-te o rins
    Marcar um golo tirar a camisa, mandar foder o estádio e ser expulso
    Mas não sem que antes erga o meu punho e enrijeça o meu pulso
    E fique de frente para o racismo que expressas a cada impulso
    Vou ser Marega, Claudia Simões, Giovanni, Flávio, Kuku, Mussu
    E todos mais
    Vou ser a força dos meus ancestrais
    A transbordar por todos os meus portais
    A unir todos os códigos postais
    E portanto hoje és tu que cais
    Hoje não vais ter mais pretos pra vender no cais
    Hoje não vais ter mais pretas para penetrar violentamente
    E depois voltar para o teu leito de facínoras com títulos senhoriais
    Hoje és tu que cais
    Derrubo as estátuas a esse fracasso
    A que chamas democracia, civilização
    Mas fez de mim mercadoria pra financiar o mercado de capitais

    Hoje dou um tiro no bicéfalo
    Morre um branco, morre um preto
    E nasci eu: Prétu, Xei di kor


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