Abelha Inventando O Mel
Cidinha de Almeida
Amor não deve ser mantido
Em banho-Maria
Pois seus poderes
De luz e encantamento
Se esvaem neste lento
Cozinhar
Meu amor é como doce
Abelha inventando o mel
Pode e deve ser louco
É como um pedacinho do céu
Amor pede fogo alto
Grossas chamas
Sol intenso
E muita pimenta
Amor pede tempero forte
Pede tudo em exagero
Mel de se lambuzar
Meu amor é como doce
Abelha inventando o mel
Pode e deve ser louco
É como um pedacinho do céu
Amor não correspondido
Vai virando tudo em deserto
Vai calando a voz do mundo
Vai tirando da água a sua nascente
Meu amor é como doce
Abelha inventando o mel
Pode e deve ser louco
É como um pedacinho do céu
Amor não correspondido
Vai tornando em folha seca
Tudo o que toca com os dedos
Até perder seus espinhos
Meu amor é como doce
Abelha inventando o mel
Pode e deve ser louco
É como um pedacinho do céu
Amor não é só de homem
Por uma mulher
Ou de mulher por um homem
Amor é amor por tudo
Que é justo e livre
Amor é horror a tudo
Que o ser inventa
Para humilhar outro ser
Meu amor é como doce
Abelha inventando o mel
Pode e deve ser louco
É como um pedacinho do céu
Amor tem seus pequenos luxos
Um pôr do Sol caprichado
Luar derramando água
Uma flor recém-colhida
Um verso equilibrado
Na ponta dos dedos
Amor tem seus pequenos luxos
De planta nascendo ontem
Pedindo terra adubada
Meu amor é como doce
Abelha inventando o mel
Pode e deve ser louco
É como um pedacinho do céu



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