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Nossa Idade

Cido Garoto

Letra

    A idade é um caso sério
    Como eu tive notano
    Tudo vai pro cemitério
    Quando a morte fô chamano

    Morrê eu também não quero
    Mas não vivo reclamano
    Já que a nossa vida é essa
    Pra morrê não tenho pressa
    Prefiro ficá esperano

    Mas no dia que eu morrê
    Ocêis já tô convidano
    A data eu não posso sabê
    Mas sinto que tá chegano

    Comecei a envelhecê
    Minha força tá acabano
    Sei que a vida tá no fim
    Mas eu vô levando assim
    Enquanto tivê aguentano

    Quando eu entro no banheiro
    No espêio fico oiano
    Aí dá um desespero
    De vê meu rosto enrugano

    Lembro o tempo de sortêro
    Na idade dos vinte ano
    Isso nunca vorta mais
    O tempo deixô pra trás
    Tem que vivê recordano

    Conforme a gente envelhece
    Eu já tive reparano
    Primeiro a barriga cresce
    Devagá vai estufano

    Depois a perna endurece
    Os zóio vai afundano
    O que eu acho divertido
    Que o nariz fica comprido
    Que nem bico de tucano

    O rosto pegá a enrugá
    E o cabelo vai branqueano
    E o pé começa inchá
    A orêia espichano

    Fica surdo pra escutá
    Muito már vive enxergano
    O cabelo vai caindo
    A pressão vive subindo
    E o couro dependurano

    Quando eu era mocinho
    Às vez eu fico lembrano
    Usava terno de linho
    Onde eu vivia passeano

    No borso tinha um lencinho
    Meu paletó enfeitano
    Meu sapato reluzindo
    Trinta e oito, bico fino
    E com o meu chapéu de pano

    Camisa de seda pura
    Era o que eu vivia usano
    E um par de botoadura
    Com a camisa combinano

    Tinha na minha cintura
    A garrucha de dois cano
    Nas festinha que eu chegava
    As mocinha delirava
    Quando me via cantano

    Aquele tempo era bão
    Mas não soube aproveitano
    Eu era meio tontão
    Do estudo fui largano

    Se tivesse estudo bão
    Hoje eu não tava penano
    Se eu tivesse estudado
    Hoje eu era um deputado
    Tinha dinheiro sobrano

    E agora com a minha idade
    Não adianta ir lamentano
    Foi-se embora a mocidade
    E a velhice tá chegano

    Mais quando aperta a saudade
    Eu não vô ficá chorano
    Quando a saudade apertá
    Saio por aí cantá
    E a mágoa vai se acabano

    Mas eu conto pro sinhô
    Que eu não posso ir reclamano
    Hoje eu sô um cantado
    E por aí vivo viajano

    Veio do jeito que eu tô
    Não que eu teja garganteano
    Onde eu chego pra cantá
    Ainda qué me namorá
    Mocinha de quinze ano

    Daí eu falo pras mocinha
    Você vão me descurpano
    Porque eu tenho uma netinha
    Que também tem quinze ano

    Sei que ocêis são bonitinha
    Acha um moço pra ir casano
    Delas caio fora cedo
    Mas depois fico com medo
    De arguma ir se matano

    Agora eu quero terminá
    Esta carreira do ano
    Pra quem veio me ajudá
    O Paulete acompanhano

    Deus que pague em meu lugá
    Esta noite vai abençoano
    Por aqui fico parado
    Pra vocêis muito obrigado
    Deus que vá lhe acompanhano


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