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Cicatrizes

Clara Peya

Cicatrius

Ens han enganyat
Res no era veritat

Línia recta i endavant
Mans de pedra, punys i sang
Un abisme va creixent
Quan miro als ossos i no a la pell
Cada passa un nou assalt
Però res m’allunya del final
Si m’esquerdo tinc ciment
I m’oblido de la gent

Ens han enganyat
Res no era veritat
Ens han promès cel
Quan tot és asfalt

Ja no camino com caminava
Ara tinc branques en comptes d’ales
I no camino com caminava
Trepitjo somnis
Amb la mirada

Vaig aprendre a fer-me mal
Sent poeta de portal
I ara porto cinc abrics
Per aïllar-me del desig

Ens han enganyat
Res no era veritat
Ens han promès nord
Quan tot era mar

Ja no respiro com respirava
Respiro cendres en comptes d’aire
I no respiro com respirava
Expulso sucre de les entranyes

Ja no camino com caminava
Ara tinc branque sen comptes d’ales
I no camino com caminava
Trepitjo somnis amb la mirada

Cicatrizes

Nos enganaram
Nada era verdade

Linha reta e em frente
Mãos de pedra, punhos e sangue
Um abismo vai crescendo
Quando olho para os ossos e não para a pele
Cada passo é um novo ataque
Mas nada me afasta do final
Se me quebro, tenho cimento
E me esqueço das pessoas

Nos enganaram
Nada era verdade
Nos prometeram o céu
Quando tudo é asfalto

Já não ando como andava
Agora tenho galhos em vez de asas
E não ando como andava
Piso em sonhos
Com o olhar

Aprendi a me machucar
Sendo poeta de porta
E agora uso cinco casacos
Para me isolar do desejo

Nos enganaram
Nada era verdade
Nos prometeram o norte
Quando tudo era mar

Já não respiro como respirava
Respiro cinzas em vez de ar
E não respiro como respirava
Expulso açúcar das entranhas

Já não ando como andava
Agora tenho galhos em vez de asas
E não ando como andava
Piso em sonhos com o olhar

Composição: Clara Peya