La Ville
Les taxis sous la pluie
Les feux rouges, les feux verts
Les rues comme dans des puits
Sous des blocs de misères
Dans les prisons carrées
Des vivants, des visages
Flirtent avec les reflets
Des télés, des images
Et des mariées de cire
Dans l'ennui des vitrines
Des nuées de sourires
Sur affiches anti-spleen
Et le chant des autos
Tout comme le bruit des vagues
Les musiques en morceaux
Pour la pub, et la drague
REFRAIN:
C'est ça la ville
On se cherche on se trouve
On s'aime et on se quitte
C'est ça la ville
Les feux rouges, les feux verts
Les taxis scarabés
Les buildings de lumière
Les enseignes incendiées
Et la beauté des femmes
La fureur des carrefours
La douleur vague à l'âme
Les regards sans amour
Et le jazz d'un oiseau
Dans un square oublié
Et les cris du métro
Poussés sous les pavés
Et ces odeurs de fer
De poussière et de peur
Tous ces mots pour se taire
Qui crèvent au fond des coeurs.
REFRAIN
Les antennes aux terrasses
Comme des crois comme des fleurs
Les usines en carcasses
Qui scintillent à la sueur
Les valets quatre étoiles
Aux perrons des palaces
Et pour la putain pâle
Un général de passe
Le sexe à la sauvette
Dans les shops sans surprise
La pitié qu'on achète
Aux parvis des églises
Et toutes ces vies ratées
Qui traînent sur les trottoirs
Ces désirs maquillés
Par les codes et les fards
REFRAIN
Toutes ces nuits d'insomnies
Ces gares et ces gratte ciels
Ces fumées en folies
Comme l'encens des hôtels
Et les dieux en carton
Aux murs des cinémas
Les glaces à la passion
Les sandwichs et sodas
Les ramasseurs d'ordures
Les tambours des camions
Les banques pour la parure
L'agonie des chansons
Les gens parmi les fous
Les fous parmi les gens
Le luxe au mauvais goût
Et comme le goût du sang
REFRAIN
A Cidade
Os táxis na chuva
Os semáforos vermelhos, os verdes
As ruas como em poços
Sob blocos de miséria
Nas prisões quadradas
Dos vivos, dos rostos
Flertam com os reflexos
Das TVs, das imagens
E das noivas de cera
Na monotonia das vitrines
Nuvens de sorrisos
Em cartazes anti-tédio
E o canto dos carros
Assim como o barulho das ondas
As músicas em pedaços
Para a publicidade, e a paquera
REFRÃO:
É isso a cidade
A gente se busca, se encontra
A gente se ama e se despede
É isso a cidade
Os semáforos vermelhos, os verdes
Os táxis besouros
Os prédios de luz
As placas incendiadas
E a beleza das mulheres
A fúria dos cruzamentos
A dor vaga na alma
Os olhares sem amor
E o jazz de um pássaro
Num parque esquecido
E os gritos do metrô
Soterrados sob os paralelepípedos
E esses cheiros de ferro
De poeira e de medo
Todas essas palavras para se calar
Que estouram no fundo dos corações.
REFRÃO
As antenas nos terraços
Como cruzes, como flores
As fábricas em carcaças
Que brilham com o suor
Os garçons quatro estrelas
Nos degraus dos palácios
E para a puta pálida
Um general de passagem
O sexo à espreita
Nas lojas sem surpresa
A piedade que se compra
Nos adros das igrejas
E todas essas vidas fracassadas
Que vagam pelos calçadões
Esses desejos maquiados
Pelos códigos e pelos cosméticos
REFRÃO
Todas essas noites de insônia
Essas estações e esses arranha-céus
Essas fumaças em delírio
Como o incenso dos hotéis
E os deuses de papelão
Nas paredes dos cinemas
Os sorvetes da paixão
Os sanduíches e refrigerantes
Os catadores de lixo
Os tambores dos caminhões
Os bancos para a ostentação
A agonia das canções
As pessoas entre os loucos
Os loucos entre as pessoas
O luxo de mau gosto
E como o gosto do sangue
REFRÃO
Composição: Claude Barzotti