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Navegando

Claudio Baglioni

Navigando

il vento era una sciarpa
l'aiutai a rimettersi la scarpa
lieve follia aerea
un'astronave la terrazza
Dio quanto dice e' buffa e pazza
ci urtammo verso la finestra
e lei veniva dalla destra

fiutai che notte era
una notte bucaniera
la calza rotta
seguiro' la rotta della calza
sento la curva delle coscie
mollo l'ancora e le angosce

navigando il mare
navigando il cielo
navigando il cuore
io e te
chissa' se questo cuore
e' abbastanza grande e comodo per due

navigando sulla luna
che lasciammo in alto
soldo di fortuna a girar su'
con la sua faccia a smalto
dalla parte quella buona cadde giu'

nell'aria lenta e blues
ride a sbuffo come un autobus
versa parole nel mio orecchio
e un vino dolce esca
io dentro una camicia fresca
duro' fino al mattino presto
il sequestro del maestro

e tra le nostre dita
una strana calamita
e mi scavava dentro i desideri
quella talpa
dimmi la volta che si salpa
un di la barca rivernicio
mi piazzo sotto a quel tuo ufficio

navigando il mare
navigando il cielo
navigando il cuore
io e te
chissa' se questo cuore
e' abbastanza grande e comodo per due

navigando sulle onde
dalla pelle d'oro
lei che mi confonde poppa e prua
dov'e' la mappa del tesoro
per cercare un'isola la tua
e navigando naufrago su te

tra capelli indiani labbra arabe
occhi venezuelani gambe andaluse
piedi africani seni tahitiani
fianchi tropicali caviglie zingare
sopracciglia orientali sbarco in Normandia

navigando il mare navigando il cielo
navigando il cuore io e te chissa' se questo cuore
e' abbastanza grande e comodo per due

navigando alla deriva vento di bonaccia
guardo nella stiva cosa c'e'
una lattina vuota tra le braccia
bella e primitiva insieme a te
io sono stato Ulisse Simbad Gilgamesh

restai solo a bordo
come un lupo nella tana
cupo e sempre piu' balordo
e neanche un'isola italiana
dalla bocca rossa
gli occhi verdi
e i denti bianchi
per riposarsi almeno un po'
quando ci si sente stanchi

Navegando

o vento era um lenço
ajudei-a a colocar o sapato
uma leve loucura aérea
a varanda era uma nave espacial
Deus, como ela fala, é engraçada e maluca
nos esbarramos na janela
e ela vinha pela direita

percebi que noite era
uma noite de pirata
a meia rasgada
seguirei o caminho da meia
sinto a curva das coxas
solto a âncora e as angústias

navegando no mar
navegando no céu
navegando no coração
eu e você
quem sabe se esse coração
é grande o suficiente e confortável para dois

navegando na lua
que deixamos lá em cima
um trocado girando
com seu rosto brilhante
daquele lado bom caiu

no ar lento e blues
ri como um ônibus
sussurra palavras no meu ouvido
e um vinho doce me atrai
eu dentro de uma camisa fresca
vou até de manhã cedo
o sequestro do mestre

e entre nossos dedos
a uma estranha imã
e me cavava dentro dos desejos
aquela toupeira
diga-me quando zarpa
aquela barca eu pinto de novo
me coloco embaixo do seu escritório

navegando no mar
navegando no céu
navegando no coração
eu e você
quem sabe se esse coração
é grande o suficiente e confortável para dois

navegando nas ondas
da pele dourada
ela que me confunde popa e proa
donde está o mapa do tesouro
para procurar uma ilha sua
e navegando naufrago em você

entre cabelos indianos lábios árabes
olhos venezuelanos pernas andaluzas
pés africanos seios tahitianos
quadris tropicais tornozelos ciganos
sobrancelhas orientais desembarque na Normandia

navegando no mar navegando no céu
navegando no coração eu e você quem sabe se esse coração
é grande o suficiente e confortável para dois

navegando à deriva vento calmo
olho no porão o que há
uma lata vazia entre os braços
bela e primitiva junto a você
eu fui Ulisses Simbad Gilgamesh

fiquei só a bordo
como um lobo na toca
sombrio e cada vez mais maluco
e nem uma ilha italiana
com a boca vermelha
e os olhos verdes
e os dentes brancos
para descansar pelo menos um pouco
quando a gente se sente cansado

Composição: Claudio Baglioni