A Ladra da Vida
Cláudio Fontenelle
Não é o ponteiro que vem me cobrar
É a poeira no plano de começar
Eu chamo de pausa o ladrão de mim
A espera é um labirinto sem fim
Labirinto sem fim, o hoje é rascunho
O traço é incerto, o amanhã mora num deserto
A vida escorrega, papel e caneta
Esperando o momento, a musa, o cometa
Esperando o cometa
Esperando o ter mais para enfim amar
Esperando a maré para poder entrar
O amor é agora, não tem caligrafia
É no borrão que a gente se via
A gente se via
O hoje é rascunho
O traço é incerto
O amanhã mora num deserto
A vida escorrega
Papel e caneta
Esperando o momento, a musa, o cometa
Esperando o cometa
Não é o tempo o vilão dessa história
É o luxo de adiar a própria memória
Perfeito é o agora que eu deixei passar
No papel em branco que eu não quis sujar
Rascunho
Só rascunho, a vida escorregou
Escorregou, escorregou



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