
Cheiro de Rosa Metálico
Cláudio Fontenelle
É, vejo o seu fantasma na chuva
Vagando pela cidade
Você escolheu passar fome a me transformar como você
Agora você se foi, depois de um beijo inesquecível
E seus passos ecoam em um beco de concreto frio
Sua sombra treme à luz, mas desaparece quando tento alcançá-la
Um rastro com cheiro de rosas misturado ao cheiro metálico de sangue
Você me deixou aqui, imerso numa enxurrada de emoções
Ah, essa bala de prata em minha mente é o seu rosto lindo
Um quilómetro de caminhada para encontrar qualquer vestígio
Disseram-me que você era amaldiçoada, um monstro disfarçado
Mas tudo o que vi foi o paraíso
Por seus olhos, você teve a chance de roubar meu destino
E me fazer seu, de me arrastar para a escuridão de suas guerras sem fim
Suas presas chegaram perto o suficiente para roçar minha pele nua
Mas foi aí que sua misericórdia acabou e minha dor começou
Você fugiu, Alyna
Está a vagar pelo seu nome
Essa fera que em ti respira
A noite é fria, eu sei
E correndo ao encontro da dor
De corpo e alma, ao léu
E as feras querem soltar
A mente a rir a sós
Ouço sussurros no vento, vindo das tocas lá embaixo
Uma visão fugaz da garota que eu conhecia
De quem você se esconde? Onde anjos caídos choram?
Presa a um segredo sombrio que jurou guardar para sempre
Mas estou indo atrás de você, querida, não vou parar jamais
Escalarei a montanha mais alta, buscarei nos abismos mais profundos
O submundo fervilha com histórias da sua grande fuga
A mulher que desafiou a natureza e a própria forma
Chamam de loucura o fato de você ter deixado o humano mortal viver
Mas sei que é a única dádiva que você tinha a oferecer
O sacrifício de amor que despedaçou meu mundo por completo
E que deixou a pergunta ardente no fundo do meu coração solitário
Será que encontraremos um jeito de romper as correntes e resgatar sua alma?
De juntar os pedaços quebrados e nos tornarmos inteiros novamente?
Estou chegando mais perto agora, sinto sua presença na escuridão
Acendendo no espírito uma centelha ardente, incontrolável
Cláudio Fontenelle
Você fugiu, Alyna
Está a clamar pelo seu nome
Essa fera ferida respira
A dor não passa, eu sei
De cores, a tinto e a dor
Encontra a paz ao léu
E as feras querem soltar
A minha ira a sós
Vejo sua silhueta contra a Lua pálida
Aqui, que perigo
Diga que não é tarde demais, por favor, não me deixe tão cedo
Podemos combater essa escuridão, meu amor
Podemos encontrar um jeito, podemos transformar essa noite sem fim
Em um dia novo e radiante
Você fugiu, Alyna
Está a clamar o seu nome
Essa fera ferida respira
A dor não cessa, eu sei
E a dor, a tinta e a dor
Encontra a paz ao léu
E feras querem soltar
A minha ira, e a sós
Para onde você fugiu, Alyna?
Estou te chamando pelo seu nome
Essa queda não te traz esperança com o tempo
Agora nada parece igual depois da queda
Você poderia ter assumido o controle
Se tivesse simplesmente ido embora
A maldição está ficando mais forte
Preciso curar o meu coração
O meu coração



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