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Rubí (b)

Claudio Frollo

Rubí (b)

Cuando supe la noticia imposible de creer,
cómo cuesta convencerse del amor de una mujer,
se me anudó la garganta, por la angustia y el temor,
Rubí se ha muerto, decían, de un ataque al corazón.
Anhelante, enloquecido, maldiciendo de mi suerte,
no me explico cómo estoy junto a tu lecho de muerte.
Inútilmente llegué y aquí me tienes, Rubí,
esperando aquella frase que jamás habré de oír.

Morir del corazón en este siglo
de furia de la jazz.
Morir enamorada a los veinte años,
la gente se reirá.
Cumplir la ley inexorable es fuerza,
no discuto señor...
Mas tu inmensa bondad de Dios, siquiera,
permitir que me diera el verso del adiós.

Con los labios entreabiertos y los ojos ya sin luz
y en las manos amarillas aún conservas una cruz.
Rubí de mi alma, responde, si rezabas al morir
o tu postrer pensamiento fue tan solo para mí.
Porque a veces, fastidioso, chapoteando me decía
ya no tienes corazón, ni esa fe que me tenías.
Ante el reproche cruel y mi torpeza brutal,
con la muerte resolviste, convencerme sin hablar.

Señor no te perdono lo que has hecho,
no quiero perdonar.
La vida de Rubí, su primavera,
debiste respetar.
Morir es ley inexorable, eterna,
no discuto señor.
Mas tu inmensa bondad de Dios, siquiera,
permitir que me diera el verso del adiós

Rubí (b)

Quando soube da notícia, impossível de acreditar,
como é difícil se convencer do amor de uma mulher,
me deu um nó na garganta, de angústia e de temor,
Rubí morreu, diziam, de um ataque cardíaco.
Ansiando, enlouquecido, amaldiçoando minha sorte,
não consigo entender como estou ao seu leito de morte.
Inutilmente cheguei e aqui me tens, Rubí,
esperando aquela frase que jamais vou ouvir.

Morrer de amor nesse século
de fúria do jazz.
Morrer apaixonada aos vinte anos,
a galera vai rir.
Cumprir a lei inexorável é força,
não discuto, senhor...
Mas sua imensa bondade de Deus, ao menos,
permitiu que eu tivesse o verso do adeus.

Com os lábios entreabertos e os olhos já sem luz
e nas mãos amarelas ainda conservas uma cruz.
Rubí da minha alma, responde, se rezavas ao morrer
ou seu último pensamento foi só para mim.
Porque às vezes, chato, me dizia,
você não tem mais coração, nem a fé que me tinha.
Diante do reproche cruel e da minha brutalidade,
com a morte você resolveu, me convencer sem falar.

Senhor, não te perdoo pelo que fizeste,
não quero perdoar.
A vida da Rubí, sua primavera,
você devia respeitar.
Morrer é lei inexorável, eterna,
não discuto, senhor.
Mas sua imensa bondade de Deus, ao menos,
permitiu que eu tivesse o verso do adeus.

Composição: Claudio Frollo / Juan José Guichandut