Año 2100
Me desperté recién, año 2100
No hay grafitis en las cales ni grafitis en el tren
El rap ya no existe, hay algo que no está bien
Tanto tiempo dormido es como volver a nacer
Salgo a las calles modernas, no se ven más piernas
Los caminos son más cortos es difícil que te pierdas
Las zapatillas limpias ahora nadie pisa tierra
Las plazas están vacías ya nadie hace una mierda
No hay explicación, para terrible desgracia
Busco a los pibes, ya nadie sale de casa
El hip hop fue reprimido, por recibir amenazas
No se escuchan ladrar perros, solo hay gatos de raza
La música es diferente, no hay melodías decentes
Los temas más escuchados idiotizan a la gente
Los programas en la tele no aportan nada al vidente
Y ninguno se anima a hablar del presidente
Tengo ganas de fluir, pero no encuentro el sonido
Solo veo gente huir de este mundo tan podrido
La tecnología al hip hop lo ha vencido
Y los chicos matan por pantalla a sus enemigos
Pero aun así no me rindo, sigo buscando al rap
Lo que me moviliza son mis ganas de rimar
Veo un grafiti borrado algo bueno puedo encontrar
Desde adentro de un sótano se escucha un boom bap
Por un segundo mi mente volvió a la que era
Vi una raya de luz al final de la carrera
Lo oscuro se tornó claro, alguna esperanza queda
Entro al sótano, hay rap, lo poco que queda
No lo podía creer, el hip hop no estaba muerto
Los pibes me miran raro sentados desde su asiento
Ya se estaban cubriendo esperando algo violento
Yo dije que me gusta el rap y se pusieron contentos
Después de una larga charla me explicaron lo ocurrido
El rap se había esfumado mientras estuve dormido
Pero para suerte mía no estaba extinguido
El rap seguía vivo
Con un parlante a la calle, a lograr mi objetivo
Los pibes tirando free caminando al lado mío
Un oficial se acerca con aspecto ofendido
Le inyecté rap y se quedó sorprendido
Empezó a rapear sin saber lo que decía
El rap en las calles estaba en sequía
Solo había una gota de rap tan fría
Pero la inundación iba a llegar ese día
Cada vez más gente se acercaba entendían poco
Pensaban que éramos vagos sin nada que hacer
Nos miraban rapear como si fuésemos loco
El rap lentamente volvía a nacer
Un pibe con vicerita vino al centro de la ronda
Y siguiendo el ritmo se puso a bailar break
Y así fue como el rap volvió a la onda
Cuando desperté en el año 2100
Ano 2100
Acabei de acordar ano 2100
Nenhum graffiti nas ruas ou graffiti no trem
O rap não existe mais, tem algo que não está certo
Tanto tempo dormindo é como nascer de novo
Eu saio para as ruas modernas, não vejo mais pernas
As estradas são mais curtas é difícil você se perder
Sapatos limpos agora ninguém pisa no chão
Os quadrados estão vazios, ninguém mais caga
Não há explicação, para terrível infortúnio
Procuro as crianças, ninguém sai mais de casa
O hip hop foi reprimido, por receber ameaças
Nenhum cachorro pode ser ouvido latindo, existem apenas gatos de raça pura
A música é diferente, sem melodias decentes
As músicas mais ouvidas deixam as pessoas burras
Os programas da TV não contribuem em nada para o vidente
E ninguém se atreve a falar sobre o presidente
Eu quero fluir, mas não consigo encontrar o som
Eu só vejo pessoas fugindo desse mundo tão podre
A tecnologia venceu o hip hop
E os meninos matam seus inimigos na tela
Mas mesmo assim não desisto, continuo procurando rap
O que me move é meu desejo de rimar
Eu vejo um grafite apagado, algo bom que posso encontrar
De dentro de um porão, você ouve um bap bap
Por um segundo minha mente voltou ao que era
Eu vi um raio de luz no final da corrida
A escuridão ficou clara, alguma esperança permanece
Eu entro no porão, tem rap, o pouco que resta
Eu não podia acreditar, o hip hop não estava morto
As crianças olham para mim estranhamente sentadas de suas cadeiras
Eles já estavam se cobrindo esperando por algo violento
Eu disse que gosto de rap e eles ficaram felizes
Depois de uma longa conversa, eles me explicaram o que aconteceu
O rap foi embora enquanto eu estava dormindo
Mas felizmente para mim não estava extinto
Rap ainda estava vivo
Com um palestrante na rua, para atingir meu objetivo
As crianças se jogando de graça andando ao meu lado
Um oficial se aproxima parecendo ofendido
Eu injetei rap e ele ficou surpreso
Ele começou a fazer rap sem saber o que estava dizendo
O rap nas ruas estava na seca
Houve apenas uma gota de rap tão fria
Mas o dilúvio viria naquele dia
Mais e mais pessoas se aproximavam e entendiam pouco
Eles pensaram que éramos preguiçosos sem nada para fazer
Eles nos assistiram fazendo rap como se fôssemos loucos
O rap renasceu lentamente
Uma criança com um vice-rei veio para o centro da rodada
E seguindo o ritmo ele começou a dançar break
E foi assim que o rap voltou aos trilhos
Quando acordei no ano 2100