Abandono

Condoizelles

Fim do dia
Vou entrar na multidão
Despedaçar a compaixão
Perder meu rosto

Perco a maciez do corpo
Embruteço o meu pouco
De maciez

Fim da história
Guardo o lápis, uso o spray
Desenho a mágoa
Enquanto o sabiá
Acorda o bairro

Fim das luzes
Vou entrar no mesmo breu
Aqui não tem mais santo
Aqui não tem descanso
Sou da casa sem reboco
Com cara de abandono
Sou o dono do cachorro
Que late ao te ver

Mudo de ideia o tempo todo
Dispersivo, vago e tolo
Sou mais um traço feio e rude
Sobre o cal

Então
Sou habitante do caos
Do descaminho do chão
Rapaz sem religião
Dono de um grito primal
Meio manso, meio letal
Que deixa a órbita se cansar
Pra correr do abandono
E te alcançar
E te alcançar!

Nenhum sal tempera o desgosto
A marca do mesmo enjoo
A palidez

Fico inflamável como o gás metano
Intragável como o lodo
Fecha esse peito e vamos lá sofrer

Sou habitante do caos
Do descaminho do chão
Rapaz sem religião
Dono de um grito primal
Meio manso, meio letal
Que deixa a órbita se cansar
Pra correr do abandono
E te alcançar
E te alcançar!


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