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Poema de Árvore II / Gênesis

Consuelo de Paula

Letra

    Olha o tempo passando
    Atrás das primeiras árvores
    Olha o tempo saltando na selva
    No matagal
    Acima dos telhados das primeiras paisagens
    No antes, no início, no breu
    E logo adiante uma planta chorona
    Despenca seus cachos de celulose e música
    Entre a neblina
    Fumaça divina de luz e sombra
    No começo
    No oco dos primeiros dias
    E antes que a floresta termine
    Eis que surge uma árvore gigante
    Generosa, frondosa
    Uma entidade na beira do vale
    Entre o chão e a névoa
    Entre o cercado e os flocos etéreos de vapor
    No meio, no vão, no branco
    No claro, na passagem, na ponte de ar
    Que anuncia a grande terra

    Olha o tempo passando
    Depois das últimas folhas
    Olha o tempo saltando nas curvas dos montes
    Acima dos pelos das derradeiras paisagens
    No depois, no final, na luz
    E mais adiante ainda
    Uma nuvem brincalhona
    Cria pássaros de algodão e poesia
    Entre o azul
    Miragem divina de sopro e verbo
    No espaço
    No vasto dos últimos dias
    E antes que a vida desapareça
    Surge uma semente invisível
    Uma estrela-cadente
    Um pingo
    Que nas voltas do mundo
    Cai sobre o barro
    Sobre o barro do chão


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