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Dos Picumãs da Memória

Cristiano Quevedo

Letra

    Quando o silêncio me toma, amordaçando as perguntas
    Me sinto adormecido, qual as cancelas das juntas
    Então descubro que o tempo,o mais velhos dos tropeiros
    Arrucinou meu destino nestes fogões estradeiros.

    Por tropas e ruculutas, onde gastei as lonjuras
    No lombo da esperança, sovei carinho e ternura
    Quando os sonhos e verdades moravam pelos galpões
    E se ocultavam segredos no bojo dos corações.

    Então me paro, a pensar, bombeando tempos e distâncias
    Nem os morcegos ficaram nas taperas das estâncias
    Sou corredor sem coruja e guarda sem tajãs
    Sou noite sem pirilampos e fogões sem picumã...

    Nessa paisagem terrunha que o hoje deixou pra trás
    Mergulharam nas canhadas, carquejas e pajonais
    Qual um ponteiro charrua, levando a história mais franca
    Sou um centauro fronteiro, de barba e melena branca.

    Então me paro, a pensar, bombeando tempos e distâncias
    Nem os morcegos ficaram nas taperas das estâncias
    Sou corredor sem coruja e guarda sem tajãs
    Sou noite sem pirilampos e fogões sem picumã...

    Composição: João Fontoura / Zulmar Benitez. Essa informação está errada? Nos avise.

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