Ma Cécité
Ma nécessité ma chance, mes troubles ma différence,
se cachent pendant l'absence, c'est ma cécité
Rouge abus d'aisance de clairs puissant voyances
de scènes allumées engeance sans cesse étirées
De bruits comme un remède de plaies qui longtemps saignent
d'émettre avant le trêve, un oubli passager
Avance tout droit et compte les pas
qui me séparent de toi
Avant de s'asseoir avant d'être sur avant d'apprendre à gémir :
« tu me reprendras jamais, que pour une semaine encore »
De résonances d'homme blessé, de cailloux mâchés qui brisent la langue
cherche à parler, cherches à parler
Un soupir qui s'échappe des plaies qui longtemps saignent dis moi :
« comment penser l'après sans être plombé de remords ? »
Ecartes bien la tête et bouge les bras
et étends bien loin les bras pour toucher, toucher du doigt
Ces murmures d'existence, de scènes allumées tombées
Ma nécessité ma chance me laisse un peu tomber
J'ai pourtant essayé de penser de te rendre responsable des infirmités celles qui m'empêchent de voir
Mais reste à l'écart et tiens bien les marges
C'est la sévérité celle qui pousse à voir
Aussi loin que cherche ma mémoire, rien n'existe que l'absence et la perte de sens
Ecartes bien la tête et bouge les bras
Et étends bien loin les bras pour toucher du doigt
Ces murmures d'existence, de scènes allumées tombées
Ma nécessité ma chance me laisse un peu tomber
Minha Cegueira
Minha necessidade, minha sorte, meus problemas, minha diferença,
se escondem na ausência, é minha cegueira.
Vermelho, abuso de conforto, de visões claras e poderosas,
de cenas acesas, linhagem esticada sem parar.
De barulhos como um remédio para feridas que sangram há muito tempo,
de emitir antes da trégua, um esquecimento passageiro.
Avança em linha reta e conta os passos
que me separam de você.
Antes de sentar, antes de estar, antes de aprender a gemer:
"Você nunca me pegará de volta, só por mais uma semana."
De ressonâncias de homem ferido, de pedras mastigadas que quebram a língua,
procura falar, procura falar.
Um suspiro que escapa das feridas que sangram há muito tempo, me diga:
"Como pensar no depois sem estar carregado de remorsos?"
Afaste bem a cabeça e mova os braços
E estenda bem longe os braços para tocar, tocar com os dedos.
Esses sussurros de existência, de cenas acesas que caíram.
Minha necessidade, minha sorte, me deixa um pouco pra baixo.
Eu tentei pensar em te fazer responsável pelas incapacidades, aquelas que me impedem de ver.
Mas fique à parte e mantenha bem as margens.
É a severidade que empurra a ver.
Tão longe quanto minha memória busca, nada existe além da ausência e da perda de sentido.
Afaste bem a cabeça e mova os braços
E estenda bem longe os braços para tocar com os dedos.
Esses sussurros de existência, de cenas acesas que caíram.
Minha necessidade, minha sorte, me deixa um pouco pra baixo.